
Hoje decorreu a NYC Pride March. Este ano a marcha do orgulho LGBTI em Nova Iorque tem um significado especial. É a celebração dos 50 anos das revoltas ocorridas no bar Stonewall Inn, no bairro de Greenwich Village, momento histórico que, para muitos e muitas, representa uma viragem na luta pelos direitos das pessoas LGBTI. O que se passou há meio século foi gigante do ponto de vista da resistência e do empoderamento das pessoas, contra a insistente, já rotineira, e totalmente avassaladora repressão exercida pelas forças policiais na população gay e lésbica, mas sobretudo nas pessoas trans. Quem se habituou a ser saco de pancada e à humilhação insistente, nesse dia, 28 de junho de 1969, resistiu e atacou.
As revoltas de Stonewall, como eu gosto de lhes chamar, por terem sido plurais ao longo de 1 semana, viraram o curso desta luta. Foram uma alavanca para os 50 anos que se seguiram até hoje. Havia lutas gay e lésbica e trans antes das revoltas de Stonewall? Havia sim. Mas a lógica era ainda a de armário e a lógica de não mostrar a diferença, mas sim de pedir desculpa pela diferença.
As lutas nas últimas cinco décadas provaram que é necessário mostrar vigorosamente a diferença, para que possamos ser todos e todas iguais. É preciso lutar para afirmar. E é por isso que faz tanto sentido mostrar, orgulhosamente, que existimos, que resistimos, que somos quem somos e que amamos ser quem somos.
Nova Iorque mostrou-se estar orgulhosa do World Pride e de Stonewall. Por toda a cidade, as instituições, públicas e privadas, pintaram-se de rainbow. Bibliotecas, museus, centros de tudo, lojas e os locais municipais celebraram a igualdade e a diversidade. A cidade é gigante mas nos últimos dias a presença das cores rainbow está em todo o lado. E as pessoas? Celebram mais também. O “happy pride” de despedida nas lojas ou no contacto humano, reconforta-nos. Se comparar com o World Pride de Madrid em 2017, a principal diferença a assinalar, por enquanto, é o maior equilíbrio de género. Aqui, os movimentos feministas são fortes e a representatividade é muito grande. Por outro lado, um aspeto relevante a assinalar é também o muito menor arrojo na forma como o corpo é explorado em plena marcha. Muito menos exibicionismo, pelo menos do lado dos homens, que abre palco para interpretações diversas: será por essa não ser a luta mais importante? Ou será por esta sociedade americana ser mais conservadora na forma como as pessoas, e consequentemente os movimentos LGBTI e os movimentos feministas, lidam com o corpo, entendido como campo de batalha pela igualdade?
Participar neste World Pride enquanto marchante, no bloco da ILGA Portugal, como membro orgulhoso da sua Direção, a representar Portugal, num percurso que desceu a 5th Av., passou em frente ao Stonewall Inn e subiu a 7th Av., com milhões, literalmente, de pessoas a celebrar a diversidade e a igualdade, a gritar com palavras e expressões de conforto e a dar-nos ânimo, foi um momento inesquecível de empoderamento e de emoção. Há, estimativas aguardam-se, milhões de pessoas a assistir à passagem da Marcha.
O World Pride March continua num interminável desfile de pessoas, organizações e empresas. E continuará sempre, pelo menos enquanto não houver total igualdade e enquanto houver pessoas que sintam a necessidade de esconder a sua orientação sexual ou identidade de género. Pela igualdade, pela diferença, pelo que somos.











































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