Lisboa é nossa

Apesar de já não viver em Lisboa, esta é ainda a minha cidade e a minha terra. Por isso, após estas eleições autárquicas, a perda da Câmara para a direita custa-me tremendamente. Por várias razões, que sintetizo assim:

  • o retrocesso que isso significará a todos os níveis, com destaque para a mobilidade, sustentabilidade, direitos sociais e habitação;
  • a oportunidade perdida para a esquerda, que escolheu concorrer entre si em vez de colaborar;
  • o cerco feito à empatia e à diversidade, quando vemos valores conservadores a ganharem terreno.

Penso sobretudo na nossa comunidade. Lisboa é (e continuará a ser) ponto nevrálgico de luta, eventos, associações e soluções para as pessoas LGBTI, dependendo muitas delas da Câmara Municipal. Nos últimos anos, temos contado com uma Câmara aliada que, apesar de eventuais limitações, reconhece e valoriza o nosso espaço na construção e evolução desta cidade. As nossas identidades e a nossa luta têm sido escutadas. E agora onde ficarão?

Podemos sempre dar o benefício da dúvida à nova equipa eleita, mas não me auguram bons tempos.

Hoje, neste momento tão pouco tranquilo, acertemos numa coisa: estamos cá, não vamos a lado nenhum. Celebramos o orgulho, exigimos os nossos direitos, continuamos na luta. Tudo faremos para que, quem procura em Lisboa um refúgio contra a perseguição e contra a LGBTIfobia, encontre pessoas e lugares seguros. Permaneceremos visíveis. As pessoas LGBTI em Lisboa, quer aí residam, trabalhem, visitem, continuarão a construir redes, laços e a deixar marca. E, se nos fecharem as portas, encontraremos novas formas de entrada, subterrâneas ou aéreas, secretas ou espetaculares, mas entraremos. Se nos encurralarem, faremos da periferia uma nova margem da alegria e da subversão, passa a circunferência a ser centro. Não nos apagarão.

Já não vivo em Lisboa por opção. Perdi o anonimato da cidade, ganhei a proximidade do campo. Mas Lisboa vem comigo e nunca será invisível.
Lisboa virá sempre na liberdade.
Lisboa será sempre liberdade.
E será sempre, sempre nossa.


Ep.257 – Presidenciais 2026 (2ª volta), Sandra Bernhard & Bad Bunny + Putain Dar Voz a esQrever: Notícias, Cultura e Opinião LGBT 🎙🏳️‍🌈

O DUCENTÉSIMO QUINQUAGÉSIMO SÉTIMO EPISÓDIO do Podcast Dar Voz a esQrever 🎙️🌈 é apresentado por nós, Pedro Carreira e Nuno Miguel Gonçalves.Neste episódio começamos por transmitir alguma desilusão com a série Heated Rivalry, antes de analisar os resultados históricos da segunda volta das presidenciais portuguesas, e celebramos a vitória de António José Seguro e o significado democrático de um resultado mega-expressivo. Ainda discutimos a entrada de Sandra Bernhard no universo The White Lotus, e no Dar Voz A… comentamos o brilhante Super Bowl Halftime Show de Bad Bunny como momento cultural disruptivo e a série belga Putain como retrato cru e queer da juventude contemporânea.Artigos Mencionados no Episódio:Presidenciais e a cobardia política: quando a neutralidade rima com cumplicidadePodcast – Presidenciais 2026 (1ª volta), Sexo Homossexual em Primatas & KPop Demon HuntersSandra Bernhard, ícone bissexual, vai entrar na nova temporada de White LotusBad Bunny e a América dividida: O Halftime Show do Super Bowl como campo de batalha cultural#LGBTQ #Portugal #HeatedRivalry #BadBunny
  1. Ep.257 – Presidenciais 2026 (2ª volta), Sandra Bernhard & Bad Bunny + Putain
  2. Ep.256 – Autodeterminação de Género em Portugal 2026 & António Botto
  3. Ep. 255 – A estreia de Heated Rivalry em Portugal; Rússia e EUA atacam direitos LGBTQ+; e o regresso de Robyn com Sexistential

O Podcast Dar Voz A esQrever 🎙🏳️‍🌈 está disponível nas seguintes plataformas:
👉 Spotify 👉 Apple Podcasts 👉 Youtube Podcasts 👉 Pocket Casts 👉 Anchor 👉 RadioPublic 👉 Overcast 👉 Breaker 👉 Podcast Addict 👉 PodBean 👉 Castbox 👉 Deezer


A esQrever no teu email

Subscreve e recebe os artigos mais recentes na tua caixa de email

Deixa uma resposta

Apoia a esQrever

Este é um projeto comunitário, voluntário e sem fins lucrativos, criado em 2014, e nunca vamos cobrar pelo conteúdo produzido, nem aceitar patrocínios que nos possam condicionar de alguma forma. Mas este é também um projeto que tem um custo financeiro pelas várias ferramentas que precisa usar – como o site, o domínio ou equipamento para a gravação do Podcast. Por isso, e caso possas, ajuda-nos a colmatar parte desses custos. Oferece-nos um café, um chá, ou outro valor que te faça sentido. Estes apoios são sempre bem-vindos 🌈

Buy Me a Coffee at ko-fi.com