Lisboa é nossa

Apesar de já não viver em Lisboa, esta é ainda a minha cidade e a minha terra. Por isso, após estas eleições autárquicas, a perda da Câmara para a direita custa-me tremendamente. Por várias razões, que sintetizo assim:

  • o retrocesso que isso significará a todos os níveis, com destaque para a mobilidade, sustentabilidade, direitos sociais e habitação;
  • a oportunidade perdida para a esquerda, que escolheu concorrer entre si em vez de colaborar;
  • o cerco feito à empatia e à diversidade, quando vemos valores conservadores a ganharem terreno.

Penso sobretudo na nossa comunidade. Lisboa é (e continuará a ser) ponto nevrálgico de luta, eventos, associações e soluções para as pessoas LGBTI, dependendo muitas delas da Câmara Municipal. Nos últimos anos, temos contado com uma Câmara aliada que, apesar de eventuais limitações, reconhece e valoriza o nosso espaço na construção e evolução desta cidade. As nossas identidades e a nossa luta têm sido escutadas. E agora onde ficarão?

Podemos sempre dar o benefício da dúvida à nova equipa eleita, mas não me auguram bons tempos.

Hoje, neste momento tão pouco tranquilo, acertemos numa coisa: estamos cá, não vamos a lado nenhum. Celebramos o orgulho, exigimos os nossos direitos, continuamos na luta. Tudo faremos para que, quem procura em Lisboa um refúgio contra a perseguição e contra a LGBTIfobia, encontre pessoas e lugares seguros. Permaneceremos visíveis. As pessoas LGBTI em Lisboa, quer aí residam, trabalhem, visitem, continuarão a construir redes, laços e a deixar marca. E, se nos fecharem as portas, encontraremos novas formas de entrada, subterrâneas ou aéreas, secretas ou espetaculares, mas entraremos. Se nos encurralarem, faremos da periferia uma nova margem da alegria e da subversão, passa a circunferência a ser centro. Não nos apagarão.

Já não vivo em Lisboa por opção. Perdi o anonimato da cidade, ganhei a proximidade do campo. Mas Lisboa vem comigo e nunca será invisível.
Lisboa virá sempre na liberdade.
Lisboa será sempre liberdade.
E será sempre, sempre nossa.


Ep.153 – Keyla Brasil, Eddie Redmayne e Tudo em Todo o Lado ao Mesmo Tempo Dar Voz a esQrever: Notícias, Cultura e Opinião LGBTI 🎙🏳️‍🌈

O CENTÉSIMO QUINQUAGÉSIMO TERCEIRO episódio do Podcast Dar Voz A esQrever 🎙️🏳️‍🌈 é apresentado por nós, Pedro Carreira e Nuno Gonçalves. O tema principal do episódio é desaparecimento temporário da ativista Keyla Brasil e das reações que ela desencadeou. Falamos ainda da retração do transfake de Eddie Redmayne e do filme de aceitação queer que é o possível vencedor dos Óscares, Tudo em Todo o Lado ao Mesmo Tempo. E ainda há… Björkem Portugal! FINALMENTE. Artigos mencionados no episódio: Keyla Brasil desaparecida desde dia 27: PSP tomou medidas “urgentes” Eddie Redmayne sobre o seu papel como pioneira mulher trans Lili Elbe: “Foi um erro” Tudo em Todo o Lado ao Mesmo Tempo: o filme com mais nomeações aos Óscares conta a história de luta por visibilidade e aceitação de uma filha queer perante a família Jingle por Hélder Baptista 🎧 Este Podcast faz parte do movimento #LGBTPodcasters 🏳️‍🌈 Para participarem e enviar perguntas que queiram ver respondidas no podcast contactem-nos via Twitter e Instagram (@esqrever) e para o e-mail geral@esqrever.com. E nudes já agora, prometemos responder a essas com prioridade máxima. Podem deixar-nos mensagens de voz utilizando o seguinte link, aproveitem para nos fazer questões, contar-nos experiências e histórias de embalar: https://anchor.fm/esqrever/message 🗣 – Até já unicórnios 🦄
  1. Ep.153 – Keyla Brasil, Eddie Redmayne e Tudo em Todo o Lado ao Mesmo Tempo
  2. Ep.152 – Nasci Maria: Tudo Sobre o Transfake, Festival da Canção 2023 e 40 anos de Madonna
  3. Ep.151 – Celebration: Drag Race, Inteligência Artificial, Will de Stranger Things e Ellie de The Last of Us

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