Festival da Canção: Bicha, mas não tanto

Pormenor da performance de Povo Pequenino.

Ontem realizou-se a primeira semifinal do Festival da Canção e uma das bandas mais acarinhadas pelo público não passou à final. Falo obviamente dos Fado Bicha.

Gostos musicais à parte (e, pessoalmente, a canção Povo Pequenino estava entre as melhores das melhores), Lila Fadista e João Caçador, levaram ao palco promovido pela RTP a identidade mais descarada, orgulhosa e festivamente queer alguma vez lá vista. Maquilhagem, roupa e mensagem da canção foram porta-estandarte de um festival imensamente acarinhado pela comunidade LGBTI. E isto, obviamente, sem desprimor por outras figuras também elas de leitura queer no palco deste sábado passado.

Não sei ainda as razões que levaram a este resultado, talvez as expetativas tenham estado demasiado elevadas, talvez a nossa bolha de amizades não reflicta a real admiração pela banda. Mas não posso também deixar de me questionar se Portugal não estará ainda preparado para ser representado por duas pessoas tão afirmadamente queer, sem rodeios, sem meias palavras, orgulhosamente bichas. É caso para perguntar: Bicha, mas não tanto?

Escrevo estas palavras na véspera da segunda semi-final do Festival da Canção 2022 e creio que a única canção que pode ser tão ou mais disruptiva que a dos Fado Bicha pertence a Pongo e Tristany com “DÉGRÁ.DÊ”. Terá Portugal coragem para a levar à Eurovisão?


Ep. 259 – ESPECIAL: A luta pela autodeterminação de género e contra as práticas de conversão em Portugal Dar Voz a esQrever: Notícias, Cultura e Opinião LGBT 🎙🏳️‍🌈

O DUCENTÉSIMO QUINQUAGÉSIMO NONO EPISÓDIO do Podcast Dar Voz a esQrever 🎙️🌈 , hoje apresentado por Pedro Carreira, em nome também de Nuno Gonçalves.Neste episódio, explicamos brevemente a pausa do podcast nas últimas semanas por razões de saúde familiar. Refletimos sobre os perigos do recuo à lei da autodeterminação de género em Portugal e o impacto que isso tem não só nas pessoas trans e intersexo, mas em toda a sociedade. Analisamos também a petição que pretende levar à Assembleia da República a discussão sobre a descriminalização das práticas de conversão, e como a resposta da sociedade civil — através de uma nova petição com ainda mais assinaturas — mostra que a luta pelos direitos LGBTI+ continua ativa e necessária.Falamos ainda do efeito dominó que ocorre quando direitos de minorias são ameaçados, e como isso afeta toda a população.Por fim, reforçamos a importância de escutar as pessoas LGBTI+, de reconhecer o mal causado pelas práticas de conversão e de defender que nenhuma criança ou adolescente seja submetida a esse tipo de abuso.Até breve 🌈Artigos Mencionados no Episódio:PSD, Chega e CDS aprovam retrocesso na autodeterminação de género: Lei atual mantém-se por agora, mas futuro é incertoMais de 60 entidades subscrevem comunicado que denuncia retrocesso nos direitos trans e intersexo: “A nossa autonomia não é debatível”Ordem dos Psicólogos Portugueses classifica projetos de lei sobre identidade de género como “retrocesso científico e ético”Estudantes de Medicina e Psicologia rejeitam projetos de lei sobre identidade de género por contrariarem “princípios basilares de uma prática clínica humanizada”Autodeterminação de Género em Portugal: Factos vs Mitos – Em defesa da Lei 38/2018 num contexto de retrocesso políticoO que tem a esconder o Governo quando omite parecer da CIG sobre diplomas de identidade de género?Autodeterminação de Género: Direita bloqueia audição à ministra Margarida Balseiro LopesDescriminalização das práticas de conversão na AR? Até onde irá o recuo dos Direitos LGBTI+ em Portugal?Resposta social sem precedentes: 50 mil assinaturas contra a descriminalização das “práticas de conversão” em PortugalONU apela à proibição global das “terapias de conversão”Se nos quiserem pagar um café, ⁠⁠⁠⁠⁠aceitamos doações aqui⁠⁠⁠⁠⁠ ☕️Jingle por Hélder Baptista 🎧Para participarem e enviar perguntas que queiram ver respondidas no podcast contactem-nos via Bluesky ( ⁠⁠@esqrever.com⁠⁠ ) e Instagram ( ⁠⁠@esqrever⁠⁠ ) ou para o e-mail ⁠⁠geral@esqrever.com⁠⁠. E nudes já agora, prometemos responder a essas com prioridade máxima. Até já, unicórnios 🦄#LGBT #LGBTQIA #Portugal #DireitosHumanos #DireitosLGBT #IdentidadeDeGénero
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6 responses to “Festival da Canção: Bicha, mas não tanto”

  1. Avatar de André Malhado
    André Malhado

    É uma questão muito relevante. Na música popular tende a ‘aceitar-se’ muitas vezes atuações mais queer (e por ‘mais queer’ refiro-me a esse lado de afirmação sem rodeios que te referes) porque são enquadradas em outras referências mainstream menos chocantes. Acontece que, e esta é uma opinião pessoal, se a atuação for demasiado disruptiva os processos de identificação ficam limitados aos que se revêm e acreditam estar a ser representados. Fado Bicha É realmente muito bicha para a camioneta de muita gente… Não deixa de ser curioso que, no ano em que se celebram os 40 anos da despenalização da homossexualidade, surja mais uma demonstração claríssima daquilo que acredito firmemente: apesar da diferença já não ser um crime, é tolerada na sociedade portuguesa até um certo limite, limite esse que a banda ultrapassa a todos os níveis.

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    1. Pois, a disrupção pode ter sido além do “tolerado” 🥲 Venha agora a Degradê que pode ser que corra melhor e seja mais consensual (embora agora tenha maiores dúvidas quanto a isso) 🙌

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  2. Sou queer e não acho que esta canção merecesse passar. Não estás a veer queerofobia onde não existe?

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    1. Num tema tão subjetivo como as artes, acima de tudo procuro questionar o que vejo e sinto.

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    2. Totalmente de acordo. Não temos de gostar ou apoiar tudo o que nos é apresentado só porque sim.

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  3. […] das pessoas trans na Ucrânia agravada pela invasão russa ao país, antes de avançar para o tópico do Festival da Canção e alguma homofobia que possa ainda persistir naquela que é uma celebração que une muito as […]

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