
Nemo conquistou a Eurovisão com a eletrizante canção “The Code” e tornou-se na primeira pessoa não binária a vencer o concurso. Com orgulho, a canção narra a sua jornada pessoal rumo à compreensão e aceitação da sua identidade de género. Numa edição especialmente conturbada, a representação não binária esteve, no entanto, em alta, com Bamby Thug da Irlanda a conseguir a 6ª posição.
Nemo nasceu em 1999 em Biel, uma pequena cidade bilingue na Suíça. Desde cedo demonstrou talento musical, dominando o violino, piano e bateria desde tenra idade. A sua fama surgiu de forma repentina em 2016, após uma atuação viral na rádio SRF Virus (#Cypher), que rapidamente se espalhou pelas redes sociais. Seguiu-se o lançamento de dois EPs, com sete canções a alcançar as tabelas de sucessos suíças.
Em 2020, Nemo embarcou numa nova fase da sua carreira, dedicando-se à composição e produção musical para outros artistas e começou a lançar canções em inglês. Nas suas obras, aborda temas como identidade de género, saúde mental e a busca pelo próprio lugar no mundo.
Nemo revelou-se como pessoa não-binária em novembro, pouco antes de ser anunciado que seria representante da Suíça na Eurovisão.
Nemo dominou o voto do júri na Eurovisão
Tendo recebido 365 pontos do júri na grande final da Eurovisão, Nemo conseguiu a vantagem suficiente face ao voto do público para vencer. Ficando atrás de países como a Croácia ou a Ucrânia no voto do público, foi uma reta final cheia de emoções em que arrecadou 521 pontos vitoriosos.
A Suíça conquistou o topo do pódio num concurso marcado por reviravoltas e incidentes nos bastidores. “The Code” liderou desde cedo a competição, partilhando uma mensagem poderosa sobre aceitação pessoal e a liberdade de cada qual viver abertamente, sem medo de julgamento.
“A compreensão das pessoas [sobre ser não-binário] tem aumentado e isso significa tudo para mim“, afirmou Nemo. “Só o facto de representar esta comunidade na Eurovisão já é incrível.“
“… talvez a Eurovisão precise também de um conserto”

Nemo fez questão de levar orgulhosamente uma bandeira do Orgulho não binário aquando da apresentação de artistas no início do evento.
Na conferência de imprensa após o evento, Nemo respondeu a uma questão sobre o facto de fãs terem de retirar as bandeiras do Orgulho não binário na arena: “Quebrei o código e quebrei o troféu, o troféu pode ser consertado… talvez a Eurovisão precise também de um conserto.”
Ao receber o troféu de vidro – que partiu sem querer – Nemo expressou: “Espero que este concurso continue a cumprir a sua promessa e a defender a paz.”
Comentário não estará alheio ao facto de Nemo ter sido uma voz ativa contra a inclusão de Israel no festival. Nemo subscreveu a carta aberta do movimento Queers for Palestine, que acusa a presença de Israel de encobrir crimes de guerra e contra a humanidade. A carta diz: “Ao recusar a expulsão de Israel da competição, a União Europeia de Radiodifusão (EBU) está a fornecer cobertura cultural e a endossar para a violência catastrófica que Israel desencadeou sobre os palestinos“.
Nemo não é apenas uma estrela em ascensão, mas um ícone de mudança e representatividade no panorama musical internacional.

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