
A poucos meses do EuroPride 2025, a organização do maior evento LGBTI+ europeu tem vindo a encontrar grandes mudanças na sua equipa. Esta semana, surgiram dois desenvolvimentos importantes: a nomeação de Diogo Vieira da Silva como Comissário Municipal do evento a convite do Presidente da Câmara de Lisboa, Carlos Moedas, e a saída da ILGA Portugal da organização.
O convite de Carlos Moedas e a entrada de Diogo Vieira da Silva na Organização do EuroPride 2025
Este domingo, Diogo Vieira da Silva anunciou ter aceitado o convite por parte de Moedas para o cargo de Comissário Municipal do EuroPride 2025. A decisão foi apresentada como parte do esforço para garantir o sucesso do maior evento LGBTI+ da Europa, que acontecerá entre os dias 14 e 22 de junho em Lisboa. Diogo, que também já presidiu a Direção da Associação Variações, uma das entidades da organização do grande evento, é conhecido pelo seu trabalho em defesa dos direitos LGBTI+. Através de uma publicação, aceitou o novo cargo com um discurso de determinação, destacando a sua longa trajetória como ativista e a importância de “ocupar espaços” de decisão.
No entanto, a nomeação tem gerado reações mistas. Apesar do seu currículo extenso, incluindo a criação de iniciativas como o CASA ou a coordenação europeia do projeto “It Gets Better“, o seu nome está também associado a várias controvérsias. Entre elas, a alegada “tomada hostil” da marca Porto Pride ou ao cancelamento do LGBT+ Music Festival. Além disso, a sua atuação enquanto colaborador da Embaixada de Israel em Portugal foi alvo de críticas, incluindo acusações de instrumentalização da comunidade LGBTI+ para fins diplomáticos por parte da Embaixada. A rede ex aequo, uma das associações originais do projeto EuroPride 2025, denunciou na altura num comunicado a estratégia de “pinkwashing” adotada pelas instituições israelitas.
A saída da ILGA Portugal: um abalo na organização
Em paralelo, a ILGA Portugal, uma das organizações que originalmente apresentou a candidatura vencedora para trazer o EuroPride a Lisboa, anunciou a sua saída da organização. Num comunicado lançado neste dia 20, a associação explicou que, apesar de reconhecer o impacto do evento, a decisão foi motivada “pelas crescentes necessidades das nossas comunidades” e pela “limitação de recursos“.
A ILGA Portugal enfatizou que a organização de um evento da dimensão do EuroPride, neste momento, comprometeria a sustentabilidade da associação e a qualidade dos serviços prestados à comunidade. A direção destacou que, com o atual contexto político e social, é essencial priorizar ações políticas estruturadas e interseccionais, garantindo o seu “apoio psicológico, social e comunitário” às pessoas LGBTI+.
A ILGA Portugal agradeceu às pessoas envolvidas na organização, mas admitiu a “frustração” que esta decisão pode causar dentro das pessoas da comunidade. Mas admite ter “a certeza de que é precisamente por elas, em primeiro lugar, que o fazemos.“
A saída da associação, a que se junta um afastamento das restantes originais AMPLOS e rede ex aequo nos últimos meses, mantendo-se apenas a Variações, representa um novo desafio para o EuroPride 2025.
O que esperar do EuroPride 2025?
O EuroPride 2025 promete ser um marco para a visibilidade LGBTI+ em Portugal. Entre os dias 14 e 22 de junho de 2025, Lisboa acolherá o maior evento do Orgulho LGBTI+ na Europa.
Com apenas cinco meses para o início do EuroPride, a falta de informações concretas, as saídas e reorganizações internas levantam hoje questões sobre a concretização e o sucesso de um evento que pretende celebrar a inclusão e a diversidade.
Resta saber se as organizações que restam, bem como as novas lideranças políticas envolvidas, conseguirão superar estes desafios e fazerem acontecer o EuroPride 2025.

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