
Avanço nos EUA traz nova esperança e reforça a importância da prevenção numa resposta global ao VIH.
A Administração estadunidense para a Alimentação e Medicamentos (FDA) aprovou esta quarta-feira, 18 de junho, a primeira “vacina preventiva”, na realidade um tipo de PrEP injetável, contra o VIH/SIDA. Chama-se Yeztugo (lenacapavir), é administrada por injeção de seis em seis meses e representa uma nova fase na resposta global à epidemia do VIH.
Desenvolvido pela farmacêutica Gilead Sciences, o tratamento mostrou uma eficácia de 99,9% na prevenção da infeção por VIH entre participantes dos ensaios clínicos. Está agora aprovado para uso em pessoas adultas e adolescentes com mais de 35 quilos, nos Estados Unidos.
“Temos agora uma forma de acabar com a epidemia do VIH de uma vez por todas”, afirmou Daniel O’Day, CEO da Gilead.
Avanços na prevenção e na cura dão nova esperança ao fim da epidemia do VIH/SIDA
Esta aprovação surge poucos dias após novos avanços científicos que apontam para uma possível cura do VIH com recurso a tecnologias de mRNA — uma área inspirada pelos progressos durante a pandemia da COVID-19. A investigação tem sido acelerada por décadas de trabalho e, mais recentemente, por novas ferramentas biomédicas.
Se no início do mês foi dado destaque ao potencial de tratar e eliminar o vírus no corpo, este novo marco concentra-se na prevenção. E é precisamente na combinação destas duas frentes — prevenção eficaz e possível cura — que reside o potencial de colocar fim à epidemia global.
A vacina Yeztugo vem ainda responder a um desafio real: o estigma e a dificuldade de adesão à medicação diária, como explicou o médico Carlos del Rio, da Universidade de Emory, em Atlanta. A administração bianual poderá representar uma alternativa prática e discreta, sobretudo para pessoas em contextos mais vulneráveis.
Para se alcançar o verdadeiro sucesso, avanços médicos precisam chegar a todas as pessoas
A aprovação da Yeztugo reforça que estamos a entrar numa nova era na luta contra o VIH, mas é essencial que este avanço não fique limitado a um país ou a um grupo privilegiado. O acesso equitativo será determinante para transformar este marco histórico numa verdadeira vitória global — especialmente para as comunidades mais afetadas, incluindo pessoas LGBTI+, migrantes e trabalhadoras do sexo.
Em tempos em que o retrocesso nas políticas de saúde sexual e direitos humanos ameaça décadas de progresso, cada avanço científico deve ser acompanhado de uma resposta política, ética e inclusiva. Só assim poderemos realmente acabar com a epidemia do VIH — com ciência, sim, mas também com justiça social.

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