
A televisão pública eslovena RTVSLO anunciou que não participará no Festival Eurovisão da Canção de 2026 caso Israel continue presente na competição.
Em comunicado, a emissora sublinhou que a decisão final será tomada apenas com a aprovação do plano anual para 2026, mas deixou claro que a sua posição é firme: a participação eslovena depende da resposta da União Europeia de Radiodifusão (EBU) às críticas sobre o envolvimento de Israel, no contexto do genocídio em Gaza.
Durante a assembleia geral da EBU, em julho, a RTVSLO defendeu que a presença de Israel compromete os valores do concurso. “Não são apenas as televisões públicas que participam, mas sim os países como um todo”, afirmou a emissora, lembrando que a Eurovisão sempre foi apresentada como um espaço de união.
A diretora da RTVSLO, Ksenija Horvat, foi ainda mais clara ao declarar que é “pouco provável” a participação do país em Viena, cidade que acolherá a próxima edição. Horvat denunciou a falta de respostas da EBU às preocupações levantadas, tanto sobre Israel como sobre a transparência das votações. “Se não for possível chegar a um sistema adequado de participação, não estaremos presentes”, disse.
A RTVSLO foi o primeiro canal a pedir oficialmente um debate sobre a presença de Israel, em dezembro de 2024, mas considera que desde então foi sistematicamente ignorada. As críticas intensificaram-se após a edição de 2025, marcada por suspeitas de manipulação política nos resultados e pela crescente pressão da opinião pública europeia em torno da guerra em Gaza.
Pressão crescente contra a participação de Israel na Eurovisão
A posição da Eslovénia junta-se a outras vozes críticas dentro do próprio concurso. O austríaco JJ, vencedor da Eurovisão 2025, não poupou palavras: “É muito dececionante ver que Israel continua a participar. Gostava que, no próximo ano, a Eurovisão fosse em Viena… e sem Israel.” A sua posição reforça o debate sobre a coerência do festival, ecoando preocupações semelhantes já levantadas pela Bélgica, que também ameaça abandonar o evento caso não haja mais transparência.
As tensões não são novas. Já após a quase-vitória de Israel na Eurovisão 2025, levantaram-se fortes críticas sobre a contradição entre os valores proclamados pelo concurso e a realidade no terreno. Como é possível continuar a falar de inclusão e paz enquanto a Palestina é massacrada?
Incoerências eurovisivas
Permitir que Israel ocupe o palco eurovisivo, num contexto de proibição de bandeiras e silenciamento de protestos, revela uma escolha incoerente com os princípios de diversidade e liberdade que o festival afirma defender.
A emissora insiste que a credibilidade da Eurovisão está em risco, pedindo medidas concretas para garantir a imparcialidade do processo de votação e defender os valores fundacionais do concurso. “Se a EBU continuar a ignorar estas questões, seremos forçadas a repensar a nossa participação”, concluiu Horvat.
A posição da Eslovénia não é isolada. Nos Países Baixos, a AVROTROS também admite rever a sua presença em 2026, devido à crescente influência geopolítica no festival.
Se se confirmar, a saída da Eslovénia abrirá um precedente sem paralelo na história recente da Eurovisão, trazendo para o centro do palco uma questão incontornável: pode o festival continuar a ser visto como um espaço de celebração cultural e diversidade enquanto ignora a realidade política que o rodeia?
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