
Em cinco anos como jurada de Drag Race España, Ana Locking descobriu no drag não só uma fonte de inspiração estética, mas também uma poderosa ferramenta de narrativa e resistência. Não é por acaso que ela é uma das figuras mais marcantes da moda espanhola contemporânea, reconhecida pelo seu olhar ousado e pela capacidade de fundir arte, moda e discurso social.
Esta semana, Ana Locking regressou aos ecrãs e falou do impacto que Drag Race teve no seu trabalho e na sua visão do mundo. Cinco anos depois da estreia, Drag Race España está de volta para a sua quinta temporada. Doze novas artistas — entre elas Alexandra del Raval, Dafne Mugler, Denébola Murnau e Krystal Forever — vão disputar a coroa e um prémio de 50 mil euros.
O programa volta a ser apresentado por Supremme de Luxe, com Javier Calvo, Javier Ambrossi (que nos trouxeram a icónica série Veneno) e a designer aqui destacada, Ana Locking, no painel de jurades.
Importa realçar ainda que a chancela espanhola de Drag Race tem sido uma das mais celebradas do universo RuPaul com a sua forte componente emocional, comunitária e de união.
O impacto de Drag Race na moda de Ana Locking
Em entrevista à Gay Times, Ana Locking sublinhou a forma como o programa influenciou a sua visão criativa:
“O drag ensinou-me a trabalhar com um só look: um conceito amplo, uma identidade, uma ideia, uma história.”
Acostumada a desenvolver coleções extensas, Locking aprendeu com o drag a condensar narrativas em peças únicas, experiência que levou também para o seu trabalho de figurinista.

A designer recorda como um dos pontos altos foi “La noche de las 1.000 Ana Locking” [na imagem acima], homenagem surpresa em que todas as concorrentes recriaram naquela noite os seus designs: “Ver o talento e a dedicação de todas reunidos para me homenagear foi incrível.”
Outro momento inesquecível aconteceu logo na primeira temporada, quando Dovima Nurmi ficou imóvel durante um lip sync para ceder a vitória à colega: “Foi impactante e muito emocionante, um autêntico flechazo artístico.”
Já na segunda temporada, o look de Onyx inspirado na escultura do Anjo Caído no Parque do Retiro fê-la chorar pela força estética e performativa da apresentação.
Drag e moda: um diálogo contínuo entre visões artísticas
Para Locking, drag e moda sempre se inspiraram mutuamente. Designers como McQueen ou Marc Jacobs beberam diretamente dessa estética, transformando a passarela em performance. Mas há algo que considera essencial:
“O drag celebra a pluralidade da identidade, é ferramenta de resistência, de reivindicação, de crítica e também de celebração. A moda tem aprendido muito com isso.”
Locking acredita que a cena drag espanhola está cada vez mais diversificada e profissionalizada: “Antes, parecia que uma drag muito sofisticada não podia ser engraçada, mas isso está a mudar. Tudo está a misturar-se mais, a profissionalizar-se, e cada vez vemos mais artistas capazes de combinar tudo: diversão no palco e uma estética impecável.”
Sobre a nova temporada, a designer promete que “esta edição deve ser vivida desde o amor, porque nos vai emocionar programa após programa.”
Drag como posicionamento político
A jurada reforça também o papel do drag como ferramenta de resistência cultural e política:
“Num momento em que começam a restringir-se liberdades de expressão no entretenimento, o drag está aqui para nos lembrar que não o podemos permitir.”
Com o regresso de Drag Race España, o público vai encontrar não apenas espetáculo e glamour, mas também entender a importância do drag enquanto espaço de visibilidade, resistência e celebração da diversidade.
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