
A cantora irlandesa Róisín Murphy voltou a ser criticada pela comunidade LGBTQIA+ após uma nova publicação em que partilhou um gráfico sobre a alegada diminuição do número de jovens trans e não binárias. “Nunca foi real”, escreveu a ex-voz dos Moloko, acrescentando: “É terrivelmente triste. Causou estragos nas crianças, nas famílias e na sociedade.”
O gráfico baseia-se num estudo da Tufts University que, segundo a investigadora Jean Twenge, não prova uma “queda real” da população trans, mas pode refletir o impacto da redução da aceitação social e do aumento da discriminação e do medo de se assumir publicamente.
Murphy parece não seguir, mais uma vez, essa explicação: Perante uma resposta de uma pessoa que lhe lembrou que “menos jovens se assumem quando o discurso de ódio é incentivado por quem tem poder”, a artista respondeu: “Acho que quer dizer quando vozes dissidentes são ouvidas.”
The Blessed Madonna reagiu às declarações trasnfóbicas de Róisín Murphy
Horas depois, The Blessed Madonna, DJ e produtora estadunidense não-binária, reagiu com dureza. Num vídeo, afirmou ter retirado Murphy de um evento que organizava e criticou a falta de empatia da artista:
“Vai-te f***, Róisín. Nunca foste um ícone queer. És só mais uma TERF empoeirada que sabe contar dinheiro queer e servir um look.”
A produtora recordou que já em 2023 tinha tentado abordá-la com respeito, depois de Murphy criticar o uso de bloqueadores de puberdade por jovens trans — um comentário que a artista irlandesa acabaria por lamentar publicamente. Mas, agora, The Blessed Madonna diz estar “farta de ser simpática”:
“O teu post é uma opinião rápida para ti. Mas é uma questão de vida ou morte para as pessoas trans.”
Efetivamente, foi encontrada uma ligação direta e causal entre leis anti-trans e o aumento nas tentativas de suicídio entre pessoas jovens trans e não-binárias. As palavras têm peso e importam.
Outras figuras como Crystal e Sister Sister (de Drag Race UK) e o músico Sega Bodega também condenaram as palavras de Murphy.
Uma ferida que não fecha
Depois de um pedido de desculpas em 2023 e de prometer “abandonar o debate público” sobre identidades trans, Róisín Murphy parece ter escolhido o caminho oposto — um que continua a afastá-la de quem, durante anos, a viu como símbolo de liberdade e inclusão.
A sua postura é mais um exemplo de como algumas figuras públicas usam a visibilidade conquistada junto da comunidade queer para amplificar discursos de exclusão. E, como lembrou The Blessed Madonna, “o que para algumas é apenas uma opinião, para as pessoas trans pode significar segurança, dignidade e vida”.
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