
Um novo estudo do The Trevor Project mostra que, quando a maioria das pessoas na vida de jovens trans e não bináries respeita os seus pronomes, o risco de tentativa de suicídio baixa de forma significativa: mais de 30%.
O relatório teve a participação de 12.174 jovens entre os 18 e os 24 anos e chega num momento sensível, com muitas pessoas trans e não binárias a passarem a época festiva com familiares que podem não ser afirmativos.
“Estas conclusões mostram a urgência de aumentar o respeito pelos pronomes de jovens trans e não bináries, porque representam uma expressão essencial de afirmação, dignidade e reconhecimento da sua humanidade.”
Menos respeito, maior risco
O estudo mostra que jovens cujos pronomes são respeitados são 31% menos propensos a reportar uma tentativa de suicídio nos últimos 12 meses.
- Entre quem teve os pronomes respeitados, 11% reportou uma tentativa.
- Entre quem não teve esse respeito, o valor sobe para 17%.
Os extremos reforçam o impacto:
- 23% das pessoas que disseram que “nenhuma das pessoas que conheço” respeita os seus pronomes tentou suicidar-se no último ano.
- Apenas 10% das que afirmaram que “todas ou a maioria das pessoas que conheço” respeitam os seus pronomes reportaram uma tentativa.
Apesar disto, só 46% das pessoas inquiridas sentem que os seus pronomes são respeitados por muitas ou pela maioria das pessoas nas suas vidas.
Que pronomes usam?
Os dados mostram uma diversidade real de identidades:
- 32% usam apenas pronomes binários (ela/ela, ele/ele).
- 32% combinam binários e não binários (ex.: ela/elu, elu/ele).
- 15% usam they/them.
- 27% usam neopronomes (como xe/xem, ze/zir) ou “qualquer pronome”.
Isto significa que mais de um quarto das pessoas usa pronomes menos conhecidos, o que pode aumentar resistências ou dúvidas e reforça a importância de informação e abertura.
Steven Hobaica, cientista principal do estudo, explicou:
“Não se trata de saber todos os pronomes ou acertar sempre. Trata-se de esforço, respeito e bondade. De ouvir jovens e fazer o melhor para os respeitar.”
“Há esta ideia de que jovens não se conhecem, mas isso não é verdade. Tudo o que sabemos sobre o tema — e as nossas próprias vivências — mostra que a compreensão da identidade pode surgir muito cedo”, acrescentou.
A importância dos pronomes
Investigações anteriores já tinham mostrado que:
- cuidados de afirmação de género salvam vidas;
- a presença de adultos afirmativos reduz risco de suicídio;
- apoio social consistente é um fator de proteção fundamental.
Este novo relatório destaca algo ainda mais concreto: o impacto direto de um único gesto afirmativo: respeitar pronomes. No entanto, não está totalmente claro até que ponto este respeito se relaciona com formas mais amplas de afirmação de género.
Enquanto esse detalhe não é compreendido, o estudo recomenda práticas simples:
- aumentar a sensibilização para pronomes diversos;
- seguir a liderança das próprias pessoas jovens quando partilham os seus pronomes;
- promover ambientes inclusivos em todos os contextos.
Este novo estudo é mais um lembrete de que respeitar pronomes salva vidas. E o seu sucesso depende de cada pessoa.
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