ILGA divulga os números preocupantes dos crimes de discriminação em Portugal

A ILGA Portugal divulgou ontem os resultados do Observatório da Discriminação em função da Orientação Sexual e Identidade de Género e são, novamente, preocupantes. Durante o ano passado das 426 denúncias feitas, 198 foram consideradas crimes motivado por ódio, entre os quais 69 são de violência extrema.

O que é especialmente alarmante neste número é que apenas 7% apresentaram queixa junto à polícia por motivos familiares e de acrescida discriminação. Igualmente preocupante é o facto de quase metade destas denúncias recolhidas pela ILGA terem sido reportadas apenas em Lisboa. Ambos refletem não só o medo de mais represálias por reportar crimes hediondos mas também não haver aparentemente qualquer informação da extensão destes crimes fora dos centros urbanos, onde a intolerância é, na sua maioria, muito mais agressiva e sufocante.

Estes números vêm-se a juntar aos recolhidos pela rede ex-aqueo na campanha #QuebraOSilencio, aplicada a denúncias de discriminação nas escolas, onde as mentes são mais susceptíveis a estes ataques verbais e físicos e podem ter efeitos irrevogáveis e fatais. 5 das dezenas de denúncias levaram as vítimas a contemplar o suicídio, uma solução definitiva para um problema temporário, mas muitos dos adolescentes não conseguem, sem apoio, vislumbrar outra forma de aliviar a dor das suas vidas quotidianas.

Esta sensibilização acontece em vésperas do Dia Internacional de Luta Contra a Homofobia e Transfobia, já amanhã, Domingo. É crucial a sensibilização da população em geral para estes crimes horrendos no intuito de incentivar as denúncias e criminalização judicial dos mesmos. O ciclo de silêncio precisa de ser quebrado. Antes que seja tarde demais.

Fontes: 1, 2, 3

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