Queer Lisboa 20: Cartaz Anunciado

Foi ontem anunciado o cartaz da vigésima edição do Queer Lisboa. Para além das já anunciadas grandes estreias de Absolutely Fabulous: The Movie e Looking nas sessões de abertura – que contará ainda com uma apresentação teatral de homenagem às vítimas de Orlando – e encerramento, respectivamente, foi anunciado o regresso da secção Panorama com a exibição de filmes como Grandma com Lily Tomlin e Goat com Nick Jonas, entre muitos outros.

Na secção competitiva de longas-metragens encontram-se filmes de grande diversidade na abordagem cultural da temática LGBT, dos quais destacamos dois filmes que fizeram furor na Berlinale deste ano, incluindo o vencedor do Teddy Award, Kater de Handel Klaus e com a presença do mesmo, e o magnífico Théo et Hugo dans la même bateau, de Olivier Ducastel e Jacques Martineau, do qual já falamos aqui (na foto).

Aqui fica o press release completo e a programação do Queer Lisboa 20 já se encontra online no site oficial.

 

Festival Queer Lisboa apresenta 20.ª edição

 
O Queer Lisboa – Festival Internacional de Cinema Queer realiza-se de 16 a 24 de setembro no Cinema São Jorge e na Cinemateca Portuguesa – Museu do Cinema.
 

Em 2016, o Queer Lisboa celebra a sua muito especial 20.ª edição com a exibição de um total de 114 filmes de 27 países, divididos por duas salas, o Cinema São Jorge e a Cinemateca Portuguesa, que acolhe a Retrospetiva Jarman and the Last of England. A realização de três master classes, duas exposições, duas performances e um debate sobre a vida e obra do cineasta Derek Jarman, com a presença de alguns dos seus colaboradores mais próximos, completam as atividades paralelas. Serão ainda muitas as estreias nacionais que o festival acolhe, com destaque para os grandes fenómenos Absolutely Fabulous: The Movie e Looking: The Movie, selecionados para as Noites de Abertura e Encerramento, respetivamente. O Queer Lisboa 20 pauta-se ainda pelo regresso da secção Panorama, na qual serão exibidos, pela primeira vez em Portugal, títulos como Grandma, protagonizado pela célebre atriz Lily Tomlin, ou Goat, com Nick Jonas. A destacar ainda a Carte Blanche oferecida à atriz Susanne Sachsse ou o desafio lançado a vários artistas para captarem uma fotografia que ilustre o espírito transgressor de 20 anos do festival, o que resultará numa exposição que estará patente no Cinema São Jorge.

 

Celebrando 20 anos de existência, o que faz do Queer Lisboa o mais antigo festival de cinema da capital, esta é uma edição na qual se cumpre o desejo não só de destacar a relevância cultural e política do cinema queer nos dias de hoje, mas também a de oferecer uma perspetiva histórica sobre o cinema queer e o próprio Festival.Dos 27 países presentes, o Reino Unido é o mais representado, com 44 filmes, graças à retrospetiva dedicada a Derek Jarman, que terá lugar na Cinemateca Portuguesa. Os EUA são o segundo país mais representado, com 12 filmes, seguindo-se Portugal, com 11 filmes, presentes sobretudo na Competição de Curtas-Metragens e na Competição In My Shorts, dando assim espaço e visibilidade aos jovens cineastas que estão a emergir no panorama nacional. O Queer Lisboa 20 é financiado pela Câmara Municipal de Lisboa / EGEAC, pelo ICA – Instituto do Cinema e do Audiovisual, e um conjunto de outros apoios públicos e privados. Além do Queer Lisboa, em 2016 a Associação Cultural Janela Indiscreta realizará também, de 5 a 9 de outubro, a segunda edição do Queer Porto – Festival Internacional de Cinema Queer. Ambos os festivais têm um financiamento direto garantido no valor de 120 mil euros e de receitas próprias previstas no valor de 20 mil euros, perfazendo um orçamento total de 140 mil euros.
 
É precisamente do Reino Unido que vem um dos maiores destaques deste ano: a estreia nacional de Absolutely Fabulous: The Movie, que será exibido em exclusivo no Festival, em duas sessões, em parceria com a Big Picture. A adaptação ao cinema da mítica série de culto britânica sobre a dupla Eddy (Jennifer Saunders, criadora da série) e Patsy (Joanna Lumley) é já um sucesso estrondoso de bilheteira e agora chega a Portugal pela mão do Queer Lisboa. O filme será exibido na Noite de Abertura, em que terá ainda lugar no Cinema São Jorge o espetáculo teatral 50. Orlando, ouve, escrito e dirigido por André Murraças, sobre o tiroteio que teve lugar na discoteca Pulse e que contará com a presença de vários atores e personalidades em palco, numa homenagem às vítimas do massacre. Entre os nomes confirmados estão Anabela Brígida, Cucha Carvalheiro, Inês Maria Meneses, Manuel Moreira, Rui Maria Pêgo, Vera Kalantrupmann, Victor D’Andrade, entre outros.
 
Central na programação deste ano é a ambiciosa retrospetiva dedicada a Derek Jarman e ao cinema marginal britânico das décadas de 1970 e 80. Trata-se de uma oportunidade única de conhecer a fundo a obra de um dos mais prolíficos, originais e influentes realizadores queer contemporâneos. Ao todo serão exibidas oito longas-metragens, 15 curtas filmadas em Super 8, muitas delas recém-descobertas e restauradas, como é o caso de Electric Fairy, o primeiro filme do cineasta, datado de 1971, ou Orange Juice, documentário sobre a banda escocesa e que terá a sua estreia mundial no festival. A estes filmes são associados outros de vários realizadores seus contemporâneos e colaboradores, como John Maybury, Cerith Wyn Evans ou John Scarlett-Davis, que estará presente no Festival. Foram ainda convidados para esta retrospetiva o ator Keith Collins (ex-companheiro do realizador), o produtor James Mackay e William Fowler (do BFI – British Film Institute), sendo os dois últimos programadores convidados do festival.
 
Este ano destaca-se ainda o regresso da secção Panorama, na qual serão exibidos, em estreia nacional, alguns títulos muito aguardados pelo grande público. É o caso de Grandma, filme de Paul Weitz e protagonizado por Lily Tomlin. Goat, um dos mais recentes filmes produzidos por James Franco, realizado por Andrew Neel e protagonizado pelo também cantor Nick Jonas, também faz parte desta secção, bem como La Belle Saison, filme de Catherine Corsini sobre duas mulheres que se apaixonam em Paris no epicentro do movimento feminista parisiense dos anos 1970. A dupla brasileira Filipe Matzembacher e Marcio Reolon, de quem o Queer Lisboa exibiu em 2015 a primeira longa-metragem, Beira-Mar, voltam a estar representados no festival com O Ninho, projeto originalmente concebido como uma minissérie televisiva e que será apresentado como longa-metragem em Lisboa. A mais recente curta dos realizadores, O Último Dia Antes de Zanzibar, também integra a Competição de Curtas-Metragens.
 
Assuntos como o isolamento na América profunda – AWOL (EUA), de Deb Shoval – , a liberdade sexual num contexto opressor – Barash (Israel), de Michal Vinik –, as famílias homoparentais – Rara (Argentina, Chile), de Pepa San Martín – os conflitos entre tradição e desejo pessoal – Spa Night (EUA), de Andrew Ahn –, a temática do VIH/Sida e da Profilaxia Pós-Exposição – Théo et Hugo dans la même bateau (França), de Olivier Ducastel e Jacques Martineau –, ou o despertar da sexualidade no meio indígena brasileiro – Antes o Tempo Não Acabava (Brasil, Alemanha), de Sérgio Andrade e Fábio Baldo – são abordados nalguns dos filmes que integram a Competição de Longas-Metragens. Sérgio Andrade estará no festival a apresentar o seu filme, bem como Händl Klaus, realizador que venceu o Teddy Award, na Berlinale, com Kater (Áustria), longa-metragem que também faz parte desta Competição.
 
Para a Competição de Documentários, Waiting for B. (Brasil), de Paulo César Toledo e Abigail Spindel, filme sobre um grupo de fãs de Beyoncé que espera durante semanas à porta do Estádio do Morumbi, em São Paulo, pelo concerto da cantora, é um dos títulos selecionados, numa exibição que contará com a presença de Toledo. Já o espanhol Marc Serena que, com Pablo García Pérez de Lara, traça em Tchindas (Espanha, Cabo Verde) um retrato da vivência queer em Cabo Verde, estará no festival a apresentar o seu documentário. A Competição de Documentários aborda ainda temáticas como a patologização da homossexualidade na Europa dos nossos dias – Bolesno (Croácia), de Hrvoje Mabić –, a luta pelos direitos civis numa comunidade rural de Myanmar– Irrawaddy Mon Amour (Itália), de Valeria Testagrossa, Nicola Grignani e Andrea Zambelli –, o processo de transição de género de um jovem músico norte-americano – Real Boy (EUA), de Shaleece Haas –, ou uma original abordagem à saída do armário – Coming Out (EUA), de Alden Peters, entre outras.
 
O segundo ano da Competição Queer Art traz até Lisboa o artista e cineasta Vincent Dieutre, que apresentará em estreia mundial o filme Trilogie de nos vies défaites (França, Holanda, Bélgica), um retrato de três gerações que é também uma reflexão sobre os tempos modernos e os seus novos mecanismos virtuais de relação. André Antônio, realizador de A Seita (Brasil), um filme focado num universo distópico que tem como cenário a cidade de Recife, também estará presente no Queer Lisboa. A destacar ainda a presença de títulos como Jason & Shirley (EUA), filme em que o realizador Stephen Winter recria os bastidores de Portrait of Jason (1967), documentário pioneiro ao aliar as temáticas da discriminação racial e da identidade sexual, da oscarizada Shirley Clarke; Las Lindas (Argentina), primeira longa de Melisa Liebenthal, que é também uma reflexão sobre a puberdade feminina; MA (EUA), estreia na longa-metragem da coreógrafa Celia Rowlson-Hall que cruza dança contemporânea, reflexão feminista sobre o corpo e a sexualidade, cinema de género e alegorias bíblicas; Strange Love (Índia), docu-ficção da premiada artista visual de Bombaim, Natasha Mendonca, centrada em duas personagens cujas vidas em transição – de género, classe, posição social – se cruzam sob o pano de fundo de uma megalópole também em constante transição; ou Where Horses Go to Die (França), de Antony Hickling.
 
Fora das secções competitivas realizar-se-á uma Sessão Especial do documentário Yes, We Fuck!, de Antonio Centeno e Raúl de la Morena, sobre como é vivida a sexualidade por parte de pessoas com diversidade funcional.
 
A atriz Susanne Sachsse, o Diretor do Sicilia Queer filmfest Andrea Inzerillo e o professor e crítico Rodrigo Gerace (na competição de longas-metragens); a Diretora do Doclisboa Cíntia Gil, o produtor da RTP Rui Filipe Oliveira e a jornalista britânica Sophie Monks Kaufman (na competição de documentários); a realizadora Aya Koretzky, o Diretor Artístico do festival In & Out, de Nice, Benoît Arnulf e o Diretor do Festival Córtex, de Sintra, José Chaíça (na competição de curtas-metragens); o realizador André Marques, o ator João Arrais e a Diretora da Portugal Film Margarida Moz (na competição de filmes de escola europeus); e o produtor James Mackay, o professor Rogério Taveira e o realizador Roy Dib (na competição Queer Art), compõem o júri da presente edição.
 
Como já é apanágio do Queer Lisboa, também este ano o cinema será colocado em diálogo com outras expressões artísticas. Daí que para esta edição tenha sido lançado um desafio a vários artistas – nomeadamente António da Silva, Carlos Jgm, Rui Palma, Sara Rafael, Vanda Noronha e Vítor Serrano – para captarem uma fotografia que ilustre o espírito transgressor de 20 anos de Festival. As fotografias vão dar lugar a uma exposição que estará patente no Cinema São Jorge e a uma coleção limitada de postais. Nestes 20 anos, o Queer Lisboa estende-se além das salas de cinema e, numa parceria com a galeria Oficina Irmãos Marques, organiza a exposição A Natureza da Margem, onde uma série de artistas exploram as relações entre sexualidade e natureza. O performer brasileiro Tales Frey, residente no Porto, foi também convidado para realizar duas performances, uma no próprio São Jorge e outra no The Late Birds Lisbon.
 
Para esta edição especial decidimos ainda oferecer à atriz alemã Susanne Sachsse uma Carte Blanche, sendo exibidos neste âmbito The Raspberry Reich (Alemanha, Canadá), de Bruce LaBruce, que a própria protagoniza, e Salomè (Itália), do italiano Carmelo Bene, que é uma adaptação livre da peça homónima de Oscar Wilde.
 
A atriz vai ainda dar uma master class, intitulada De Brecht a Bruce LaBruce e de volta. Pronta para a minha próxima autoexposição. O professor e crítico Rodrigo Gerace vai também dar uma master class, intitulada Cinema Explícito – Obscenidades Cinematográficas, sobre o obsceno e o sexo explícito na história do cinema e o seu sentido político, tendo como base o seu livro “Cinema Explícito – Representações Cinematográficas do Sexo”, que será lançado em Portugal por essa altura.
 
A música volta com a secção Queer Pop, com dois programas centrados em Freddie Mercury e Annie Lennox, e de como ambos esbateram fronteiras entre as identidades masculina e feminina, e ainda com o programa Left To Our Own Devices, composto por alguns dos mais emblemáticos telediscos realizados por Derek Jarman.
 
Já a secção Hard Nights terá em destaque o realizador António da Silva e alguns dos seus filmes mais recentes, três deles realizados no Brasil – nomeadamente Brazil Carnival, Brazil Jungle e Brazil Solos – e outro no Algarve, Ecosexual.
 
O Queer Lisboa 20 terminará com a estreia nacional de Looking: The Movie (EUA), filme de Andrew Haigh (de quem o festival também estreou o aplaudido Weekend) que conclui a história que nasceu como uma série televisiva da HBO que foi um grande fenómeno de popularidade. Uma parceria com a TV Cine & Séries.
 
Durante o festival vão ainda realizar-se as habituais festas de abertura e de encerramento. A Festa de Abertura realizar-se-á no Club Fontória e contará com a música de Nuno Galopim, também programador do Queer Lisboa, e da dupla queriaSTARmorta, de Bruno Cadinha e Gonçalo C. Ferreira. A Festa de Encerramento terá lugar no Titanic Sur Mer e nela vão passar música o duo Candy Fur e Mário Valente.

 

Advertisements