Hannah Einbinder: de Hacks ao terror queer de Jane Schoenbrun, uma estrela em transformação

Hannah Einbinder - de Hacks ao terror queer de Jane Schoenbrun, uma estrela em transformação

Depois de conquistar o público com a premiada série Hacks, Hannah Einbinder prepara-se para apresentar ao público português aquele que poderá ser o papel mais marcante da sua carreira. A atriz estadunidense é uma das protagonistas de Teenage Sex and Death at Camp Miasma, o novo filme de Jane Schoenbrun, que terá estreia nacional na 30.ª edição do Queer Lisboa.

Apresentado no Festival de Cannes, o filme rapidamente se tornou um dos fenómenos do ano. Misturando terror, desejo, identidade e cultura VHS, Teenage Sex and Death at Camp Miasma acompanha Kris, uma realizadora obcecada por Billy Presley, a misteriosa protagonista da saga fictícia Camp Miasma, interpretada por Gillian Anderson. À medida que a história avança, realidade e fantasia confundem-se numa viagem profundamente emocional sobre vergonha, repressão e autodescoberta.

Numa entrevista ao The Guardian, Hannah Einbinder revela que foi precisamente essa dimensão emocional que a conquistou.

“Quando a minha agente me enviou o argumento, fiquei completamente fascinada. A forma como abordava a vergonha, a repressão e a dissociação intrigou-me imediatamente.”

A atriz explica que o filme a obrigou a olhar para aspetos da sua própria experiência que preferia evitar.

“Tal como a Kris, tive de explorar as minhas próprias experiências e confrontar coisas que não queria ver.”

Esse processo acabou por ter um impacto duradouro.

“O filme ajudou-me a estar mais aberta em relação ao desejo.”

Einbinder acrescenta ainda que o projeto lhe ofereceu “um mapa” para compreender melhor os seus próprios limites, perceber quando dizer “sim” e, sobretudo, quando dizer “não”.

O papel que mudou tudo

Embora Teenage Sex and Death at Camp Miasma represente uma nova fase, Hannah Einbinder reconhece que foi Hacks que transformou verdadeiramente a sua vida.

Na série da HBO, interpretou Ava Daniels, uma jovem argumentista contratada para revitalizar a carreira da lendária comediante Deborah Vance, interpretada por Jean Smart. Ao longo de quatro temporadas, a relação entre ambas evoluiu de uma rivalidade constante para uma das amizades mais complexas e emocionantes da televisão recente.

Para Einbinder, essa transformação não aconteceu apenas no ecrã.

“Aprendi tanto e tornei-me uma pessoa. Tornei-me eu própria. Não sei como teria chegado a quem sou sem esta experiência.”

A atriz admite que começou a série numa fase particularmente difícil da sua vida.

“Não defendia os meus interesses. Não tinha limites. Era bastante passiva.”

E confessa que nasceu “sem autoestima“.

Hoje, diz sentir-se completamente diferente.

“Agora sinto-me muito mais presente e segura de mim própria, de uma forma que nunca pensei ser possível.”

É difícil não encontrar um paralelismo entre essa evolução e a própria Kris, a protagonista de Teenage Sex and Death at Camp Miasma. Ambas percorrem um caminho de confronto com as suas inseguranças e acabam por descobrir uma versão mais autêntica de si próprias.

Uma voz cada vez mais influente

Nos últimos anos, Hannah Einbinder também se tornou uma das vozes políticas mais visíveis da nova geração de Hollywood.

Nas cerimónias de entrega de prémios e nas redes sociais, tem defendido publicamente causas como a justiça climática, os direitos das pessoas migrantes e a crise humanitária em Gaza.

Na sua visão, o ativismo nasce da convicção de que a política nunca é abstrata.

“Tudo é pessoal. A política é a coisa mais pessoal que existe. Não é teórica.”

A atriz, que é bissexual e tem dois irmãos trans, explica que estas questões fazem parte da sua vida quotidiana e não podem ser separadas da sua identidade nem do trabalho que escolhe fazer.

Também fala sobre o processo de questionar algumas das ideias com que cresceu, afirmando que essa reflexão mudou profundamente a forma como encara o mundo e as causas que defende, mesmo quando isso teve consequências nas suas relações pessoais.

Um novo capítulo

Depois de quatro anos a crescer ao lado da equipa de Hacks, Hannah Einbinder admite que aceitar Teenage Sex and Death at Camp Miasma foi simultaneamente entusiasmante e assustador.

“Estava entusiasmada, mas também intimidada. Pensava: ‘Consigo fazer isto? Consigo trabalhar fora daquele ambiente seguro onde toda a gente sabia exatamente como me orientar?’”

A resposta parece ser afirmativa.

Depois de conquistar a televisão com Hacks, Hannah Einbinder afirma-se agora como uma das protagonistas mais promissoras do cinema queer contemporâneo. E, em setembro, o público português terá finalmente oportunidade de perceber porquê, quando Teenage Sex and Death at Camp Miasma chegar ao Queer Lisboa.


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Uma resposta a “Hannah Einbinder: de Hacks ao terror queer de Jane Schoenbrun, uma estrela em transformação”

  1. […] cruza slasher, desejo queer e uma reflexão sobre a relação que criamos com o próprio cinema. Hannah Einbinder interpreta uma jovem realizadora contratada para recuperar uma velha série de terror, acabando por […]

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