Igreja Anuncia Proibição De Novos Padres Gays

Num decreto da Congregação para o Clero intitulado O dom da vocação presbiterial, o Vaticano quer que os candidatos a seminaristas sejam sujeitos a um processo de selecção que inclui testes psicológicos e o escrutínio do seu perfil sexual e do seu passado. Nomeadamente, pode ler-se, “a Igreja não pode admitir aqueles que praticam a homossexualidade, apresentam tendências homossexuais profundamente radicadas ou apoiam a chamada cultura gay.” A Igreja pretende assim igualmente perceber se o candidato não incorreu, entre outros, em “delitos ou situações problemáticas” no âmbito da pedofilia.

Há vários problemas com todo este decreto. Desde logo a  ligação que a Igreja faz – e quantos não o continuam a fazer de forma a minar a discussão? – entre a homossexualidade e a pedofilia. É uma referência que nem sempre é assumida, mas que é feita repetidamente de forma a que o público continue a ligar pontos onde não os há. Aliás, se é verdade que a maioria das vítimas de abuso sexual por padres é rapaz – simplesmente porque os padres têm maior acesso a rapazes que raparigas -, a verdade é que também a maioria dos padres pedófilos se identifica como heterossexual. Efetivamente, o abuso de menores diminuiu à medida que o número de padres gays que começaram a servir na Igreja aumentou a partir da década de 1980.

O maior inimigo da Igreja não são, portanto, os padres gays, antes pelo contrário, mas sim o silenciamento imposto por uma instituição tão poderosa como o Vaticano que lavou mãos diante de milhares de vítimas de abuso sexual. Há que ser feito um esforço para que esses crimes não voltem a acontecer, com transparência e justiça. A Igreja não pode estar acima da lei, como muitas vezes parece sentir-se quando remete estas questões para secretismos e processos internos.

Outro problema no decreto é, mais uma vez, a ligação da homossexualidade com doenças mentais: “Será de evitar a admissão de quantos sofram de patologia, manifesta ou latente (por exemplo, esquizofrenia, paranóia, distúrbio bipolar, parafilias, etc)“. Mas quantas vezes será feita esta insinuação por parte da Igreja e de outras entidades? A homossexualidade não é uma doença, décadas de estudos médicos e psicológicos tornaram este assunto numa unanimidade científica.

Quererá a Igreja isolar-se daqueles e daquelas que procuram nela um local de espiritualidade e Amor? Porque, na realidade, acreditamos que possa existir Fé na Igualdade e que o Amor, que é tantas vezes pregado, pode surgir de uma comunidade por outra. Basta deixar de lado a discriminação e o preconceito.

 

Atualização 16/11/2017:

O Cardeal patriarca de Lisboa, D. Manuel Clemente, desaconselha homossexuais nos seminários:

O Clero desaconselha vivamente – para não dizer proibir – que o jovem que manifeste essa orientação homossexual ingresse no Seminário. Alguém que tenha essa tendência homossexual não deve ser posta numa posição em que seria mais melindrosa do que já é. Não deve, portanto, enveredar para o Sacerdócio, é um Sacramento de Cristo Pastor e em Cristo não há nada de homossexual.

Todo este escrutínio surge bem documentado n’O Dom Da Vocação Presbiteral onde se lê que “poderá revelar-se útil também um parecer de algumas senhoras que conheçam o candidato, integrando na avaliação o “olhar” e o juízo feminino.”

Ainda há quem diga que a Igreja Católica não tem sentido de humor! 

 

Fontes: Público e NYT.

 

 

 

 

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