Marielle Franco: Política, Feminista, Negra, Favelada E, Ainda Que Largamente Omitido, Bissexual

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Marielle Franco foi assassinada com quatro balas na cabeça depois de participar num evento sobre ‘Jovens Negras Movendo Estruturas‘. Nesta execução – é a própria polícia que o diz – morreu igualmente o motorista que a levava, Anderson Gomes. Nas várias notícias fala-se de uma política próxima das favelas – onde cresceu -, numa ativista pelos direitos humanos, uma feminista, uma mulher, negra. Houve, no entanto, uma ausência que saltou à vista, apesar de ter facilmente encontrado informação sobre a sua bissexualidade: eram raras, muito raras as menções a este aspecto da sua identidade. Falou-se de ser mulher, negra, feminista, ativista, da flavela, mas ela assumir-se bissexual e casada com uma mulher foi um aspecto largamente omitido nos meios de comunicação nacionais. Poderá tratar-se de um mero acaso, um descuido por parte da comunicação social?

Talvez seja, mas a verdade é que, tirando algumas exceções – como os artigos de opinião da Fernanda Câncio no DN ou da Joacine Katar Moreira no Público – a sua identidade foi apagada no seu todo. Percorrer dezenas de notícias nos vários jornais portugueses e encontrar apenas uma única menção é, no mínimo, estranho. Mas recordemos que este não é o primeiro caso em que se tenta rasurar a temática LGBTI no que toca a eventos traumatizantes e de posterior união unânime como o assassinato de Marielle Franco. Basta recuar dois anos para ver como os média portugueses trataram o atentado de Orlando, muitas vezes recusando tratá-lo como o acto homofóbico.

Porque – e talvez seja este mais um exemplo – a orientação sexual de uma pessoa é um não-assunto, é do foro privado, não é relevante, são pessoas! Só que não é bem isso que na realidade se passa, não é verdade? Toda esta lógica invisibiliza as pessoas e as suas identidades. Omitir ou descurar sobre quem foi Marielle Franco é não perceber na plenitude tudo aquilo que ela representa e que tentaram silenciar. E isso não podemos permitir que o façam pois merecemos uma Marielle Franco diversa e unificadora, mas, acima de tudo, inteira.

Atualização 22/01/2019:

Detidos cinco suspeitos de envolvimento na morte de Marielle Franco: Operação Os Intocáveis levou à detenção de alguns membros de uma milícia do Rio de Janeiro. Ministério Público emitiu 13 mandados de prisão preventiva.

Atualização 14/04/2020:

Dois anos passados e ainda não foram encontrados os responsáveis por estes assassinatos…

Fonte: Imagem.


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O DUCENTÉSIMO QUINQUAGÉSIMO SÉTIMO EPISÓDIO do Podcast Dar Voz a esQrever 🎙️🌈 é apresentado por nós, Pedro Carreira e Nuno Miguel Gonçalves.Neste episódio começamos por transmitir alguma desilusão com a série Heated Rivalry, antes de analisar os resultados históricos da segunda volta das presidenciais portuguesas, e celebramos a vitória de António José Seguro e o significado democrático de um resultado mega-expressivo. Ainda discutimos a entrada de Sandra Bernhard no universo The White Lotus, e no Dar Voz A… comentamos o brilhante Super Bowl Halftime Show de Bad Bunny como momento cultural disruptivo e a série belga Putain como retrato cru e queer da juventude contemporânea.Artigos Mencionados no Episódio:Presidenciais e a cobardia política: quando a neutralidade rima com cumplicidadePodcast – Presidenciais 2026 (1ª volta), Sexo Homossexual em Primatas & KPop Demon HuntersSandra Bernhard, ícone bissexual, vai entrar na nova temporada de White LotusBad Bunny e a América dividida: O Halftime Show do Super Bowl como campo de batalha cultural#LGBTQ #Portugal #HeatedRivalry #BadBunny
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10 responses to “Marielle Franco: Política, Feminista, Negra, Favelada E, Ainda Que Largamente Omitido, Bissexual”

  1. […] o movimento #MeToo e #TimesUp – ou a tragédia da execução recente da guerreira política Marielle Franco e os protestos que esse crime grotesco desencadeou. São exemplos tenebrosos do silenciamento das […]

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  2. […] “Houve uma ausência que saltou à vista, apesar de ter facilmente encontrado informação sobre a su…“ […]

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  3. […] anos e cinco meses após o assassinato de Marielle Franco e de seu motorista, Anderson Gomes, Monica Benicio, que foi companheira da vereadora, decidiu […]

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  4. […] Rio de Janeiro, nenhuma candidatura de pessoa trans venceu, mas Monica Benicio, viúva de Marielle Franco, vereadora negra e lésbica assassinada brutalmente em março de 2018, ganhou um lugar na câmara […]

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  5. […] “As rosas da resistência nascem no asfalto. A gente recebe rosas, mas vamos estar com o punho cerrado falando de nossa existência contra os mandos e desmandos que afetam nossas vidas.” – Marielle Franco. […]

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  6. […] “Para que a discussão se amplie é fundamental compreender que estamos em um lugar de tratamento diferente. É preciso reconhecer o racismo” – Marielle Franco. […]

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  7. […] que estamos em um lugar de tratamento diferente. É preciso reconhecer o racismo” – Marielle Franco.fdinizFábio Diniz é um militante político, defensor do progresso social e do direito à vida […]

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  8. […] Seis anos após a sua morte, a resposta a “Quem mandou matar Marielle Franco?” parece estar mais próxima. A Polícia Federal brasileira prendeu no domingo três suspeitos de serem os mandantes do assassinato da vereadora do Rio de Janeiro. Também o seu motorista, Anderson Gomes, foi morto no assassinato. […]

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  9. […] Marielle Franco era uma força revolucionária. Mulher negra, nascida e criada nas favelas do Rio de Janeiro, foi uma defensora incansável das comunidades marginalizadas, denunciando o abuso de poder das forças de segurança e a violência sistémica das milícias armadas. No entanto, apesar da notoriedade e do impacto da sua trajetória, a sua identidade foi, em muitos aspetos, ignorada pelos meios de comunicação. Marielle era bissexual e casada com Monica Benicio, uma informação que, na altura do seu assassinato, foi amplamente omitida nos media brasileiros e portugueses, levantando questões sobre a invisibilização das identidades LGBTI+. […]

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  10. […] A GL*C apela assim a uma linguagem e políticas inclusivas para proteger os direitos das lésbicas. Também critica o impacto de discursos conservadores que alimentam o ódio e a discriminação. “As questões sistémicas são cruciais, pois as lésbicas enfrentam vulnerabilidades sociais e económicas acrescidas, sem acesso a instituições especializadas”, sublinha Thato Thinyane, representante da Comunidade para o Desenvolvimento da África Austral (SADC). Thinyane aponta ainda a falta de ética no jornalismo, que muitas vezes apaga as identidades das vítimas ou reforça estigmas. […]

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