A Distância Contigo

Vivemos novos tempos, novas realidades, novas formas de amar, de apaixonar, de sentir, de comunicar, de sorrir, de tocar, de estarmos presentes, de estar contigo…

Não fosse o Ser Humano um animal social que facilmente se adapta, aceitar esta nova realidade tornar-se-ia impossível e extremamente angustiante… Contudo, por mais difícil que seja estar afastado daquilo que se conhecia até então, temos de usufruir deste isolamento para conhecer um pouco mais do nosso EU, para tentar pensar em várias questões como: quem somos (uma tarefa que implica uma vida inteira para responder e mesmo quando termina esta nossa viagem maluca de Ser Quem Sou, ela continua sem resposta), quais os nossos objetivos, o que sentimos, também reestruturar o significado das coisas (desde a mais simples à mais complexa).

Em tempos de isolamento a reflexão é imensa, mergulha-se por completo nela e perde- se a noção de tempo, de espaço… O de quão garantidos tínhamos deixou de ser, desde passear à beira rio, de assistir ao pôr do sol, de sentir a areia nos pés, das longas viagens de carro acompanhadas de música, de deambular pelas ruas da cidade, de cumprimentar as várias caras desconhecidas que cruzam a nossa rotina, de ter liberdade para respirar o ar que aconchega a Natureza, e tão mais!

Confesso-te que a Saudade invadiu o meu corpo de uma forma que nunca teria pensado ser possível, o sentimento de nostalgia surge sorrateiramente e arrebate o meu coração, despedaça a minha memória de uma forma tão deliciosa! Saudade de te sentir, de te ver sorrir, de ter o teu corpo junto ao meu, da tua voz, do teu batimento cardíaco, do teu abraço, do teu beijo, de acordar de manhã e a primeira coisa que os meus olhos veem é a tua felicidade, de partilhar o café da manhã contigo, de estarmos presentes uma para a outra…

Eu sei que existem as tecnologias que promovem novas formas de comunicar, de estar presente mesmo longe, mas não é igual… Eu não te sinto da mesma forma, os meus olhos não brilham da mesma forma, o meu sorriso não é assim tão bobo, e embora eu utilize estas ferramentas para estar contigo e acalmar o coração, faço-o muito lentamente porque a saudade também faz parte de mim!

“Saudade é ser, depois de ter.” 
Guimarães Rosa

Sei que quando terminar toda esta realidade temporária serei diferente, pois serei mais Eu e terei muito mais vontade estar contigo, de te amar bem pertinho a mim. O nosso Nós sendo mais Eu e tu sendo mais Tu…

Mississípi

Há muito tempo que não saio de casa (a não ser para ir ao supermercado ou à gelataria) Se soubesses a confusão de rios que vai no meu quarto
Estou morto por te apresentar o Mississípi
Estou morto que venhas estou morto por ouvir o som irritante da campainha da entrada Há muito tempo que não saio de casa
Se soubesses a vontade que tenho de passear no interior da tua orelha

Jorge Sousa Braga, in “O Poeta Nu” 
Edição Assírio & Alvim

Imagem por Matthew Henry.


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