#loveislove, uma capa feliz

O Dia Internacional contra a Homofobia, Transfobia e Bifobia, a 17 de Maio, comemora a visibilidade e luta LGBTI+ e, para quem presta atenção, desmascara também muitos rostos da homofobia, bifobia e transfobia.  No passado dia 17 ouviu-se falar muito de amor e as redes sociais promoveram ainda mais uma das hashtags mais populares associadas à comunidade LGBTI+. 

#loveislove acompanhou imagens e descrições do direito de amar e da mentira de que pessoas são discriminadas porque amam – ninguém sofre discriminação porque ama, a discriminação parte de quem a faz. Não desculpem o preconceito com o amor.

#loveislove parece-me pouco mais do que isto: uma lente a romantizar a comunidade e experiência LGBTI+, tantas vezes repleta de isolamento e solidão.

#loveislove é uma tentativa de a sociedade entender, sem se dar ao trabalho de entender, uma realidade complexa, que muitas vezes lhe escapa e de cuja discriminação tantas vezes é cúmplice. “Somos o mesmo, só há uns que gostam de uma coisa e outras que gostam de outra.” Esta simplificação não apoia a diversidade e as vivências da comunidade LGBTI+. 

Nós não fazemos parte da comunidade LGBTI+ porque amamos, ou porque amamos o mesmo sexo.

Nós existimos antes das relações amorosas. Existimos desde crianças e atravessamos a adolescência com falta de exemplos e apoios, em tantos casos marcada por bullying e exclusão, em outros casos com o alicerce de amizades fortes ou famílias compreensivas. 

A comunidade LGBTI+ é também feita de pessoas em lares de idosos, ou em instituições psiquiátricas e de reabilitação. É feita de pessoas solteiras, de pessoas em relações com o sexo oposto, de pessoas em relações poly ou não convencionais, de pessoas viúvas, divorciadas, de pessoas em situação de violência doméstica. É feita também da sua invisibilidade.

A narrativa por trás do #loveislove não sensibiliza para o ataque recente aos direitos das pessoas Trans na Hungria, não alerta para o número elevado de suicídios na comunidade LGBTI+, não traz resposta a quem sente desconforto e ansiedade no local de trabalho, não trata das feridas de pessoas rejeitadas pela sua família. 

A romantização da comunidade LGBTI+ é uma tentativa de a aproximar de um imaginário aprazível, as relações amorosas e felizes, e de assim aceitar uma comunidade desvalorizando o seu percurso e identidade. 

Não sou contra #loveislove em si. #loveislove só é um problema quando se presume ser o baluarte da comunidade LGBTI+, ignorando as realidades da comunidade e ajustando-a a uma visão simplista e agradável. #loveislove deve ser usada para aquilo que retrata: uma relação de amor entre pessoas do mesmo sexo, que enfrenta, sim, discriminação e preconceito, mas não representa nem apoia a diversidade e as identidades da comunidade LGBTI+. 

Lutar pela visibilidade e proteção da comunidade LGBTI+ implica aprender primeiro quem é esta comunidade. A sigla LGBTI+ ou LGBTIA+ não significa pessoas do mesmo sexo apaixonadas. Significa #Lésbicas, #Gays, #Bissexuais, #Transgénero e #Transexuais, #Intersexo, #Assexuais e outras pessoas que fazem parte da comunidade, mas não se identificam com as categorias assinaladas, #queer, #nãobinário, #pansexual. Cada uma destas hashtags representa grupos muito diversos, que lidam com desafios comuns, mas percorrem percursos próprios, e a visibilidade de cada um desses grupos, assim como a da intersecção entre esses grupos e outras identidades, é essencial para uma comunidade LGBTI+ forte e inclusiva e para uma sociedade onde os direitos LGBTI+ se cumpram. 

Primeiro aquelas hashtags, e depois, se houver amor, #loveislove.

Maria Ab

Fotografia por Yoav Hornung.


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