
Pela primeira vez, uma peregrinação LGBTQ+ foi oficialmente reconhecida pelo Vaticano e incluiu a passagem pela Porta Santa da Basílica de São Pedro, num gesto histórico de reconciliação e inclusão.
Roma viveu um momento inédito neste Jubileu de 2025: cerca de 1300 pessoas católicas queer de vários países reuniram-se na Igreja do Gesù, no coração da capital italiana, antes de seguirem em procissão até à Basílica de São Pedro.
Entre música, oração e cruzes com as cores do arco-íris, o grupo participou numa missa celebrada pelo bispo Francesco Savino. Depois, atravessou a Porta Santa, um gesto simbólico que acontece apenas a cada 25 anos e que representa reconciliação e perdão.
“Este é um momento decisivo”, afirmou Innocenzo Pontillo, presidente da associação Jonathan’s Tent, que impulsionou o evento. “Queremos mostrar que a Igreja mudou.”
A herança de Francisco e o desafio a Leão XIV com a comunidade católica LGBTQ+
A peregrinação foi planeada ainda durante o pontificado de Francisco, que encorajou pessoalmente a sua realização. O Papa argentino ficou conhecido pela sua pastoral de acolhimento, ao afirmar que as pessoas LGBTQ+ são “filhas de Deus”, apoiar uniões civis e permitir bênçãos a casais do mesmo sexo.
Agora, a expectativa recai sobre o novo Papa Leão XIV, o primeiro estadunidense e de ascendência peruana. Considerado mais reservado, tem procurado equilibrar setores conservadores e progressistas.
Ainda assim, sinais recentes apontam para uma possível continuidade da abertura. Após uma audiência privada, o jesuíta James Martin, defensor da inclusão LGBTQ+, afirmou: “A mensagem que recebi do Papa Leão é que ele vai continuar o legado de Francisco, num ministério de abertura e acolhimento.”
Entre resistência e esperança
A realização da peregrinação foi contestada por setores conservadores, que a classificaram como um “ato provocatório e irreverente”. O evento chegou a ser retirado do calendário oficial do Jubileu, mas acabou reintegrado.
Apesar da controvérsia, o simbolismo foi inegável. Francis DeBernardo, diretor do New Ways Ministry, sublinhou: “Em 2000, havia retórica anti-gay a sair do Vaticano. Vinte e cinco anos depois, pessoas católicas LGBTQ+ são acolhidos através da Porta Santa. É uma grande mudança.”
Também para quem participou, a experiência foi transformadora. “Acho que isto está a abrir a Igreja a tantas mais pessoas, a famílias inteiras. É uma experiência verdadeiramente acolhedora”, disse Cory Shade, de Fort Lauderdale, durante a caminhada até ao Vaticano.
Fé, pertença e futuro
Histórias pessoais deram rosto à peregrinação: uma mulher trans belga que procura coragem para se assumir na sua paróquia; um professor italiano que levou na mochila um rosário branco e uma fita arco-íris; ou comunidades que organizaram transporte para dezenas de mulheres trans trabalhadoras sexuais, anteriormente apoiadas por Francisco.
“Chegámos tão longe com Francisco. Tenho fé que Leão estará connosco”, partilhou, emocionado, o peregrino Mauro Cerritelli.
A primeira peregrinação LGBTQ+ oficialmente reconhecida pelo Vaticano ficará marcada como uma das mais simbólicas da história da Igreja. Um passo que não elimina as tensões internas, mas que mostrou ao mundo que fé e orgulho podem caminhar lado a lado dentro do coração de Roma.
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