Espanha é o primeiro país dos Big 5 a ameaçar abandonar a Eurovisão se Israel participar em 2026

Espanha é o primeiro país dos Big 5 a ameaçar abandonar a Eurovisão se Israel participar em 2026

Na imagem: Paloma representou Espanha em 2023
Paloma representou Espanha na Eurovisão em 2023

A crise na Eurovisão entrou numa nova fase. Espanha tornou-se o primeiro país dos Big 5 — o grupo de maiores financiadores do concurso — a ameaçar abandonar o festival caso Israel não seja excluído da edição de 2026, em Viena.

O aviso partiu do ministro da Cultura espanhol, Ernest Urtasun, que em entrevista à TVE afirmou: “Não podemos normalizar a participação de Israel em eventos internacionais como se nada estivesse a acontecer.” Para Urtasun, o concurso não é apenas sobre artistas individuais, mas sobre representação oficial de países: “Na Eurovisão não é um artista isolado quem participa, mas sim alguém que concorre em nome do país e das suas cidadãs e cidadãos.

O ministro acrescentou que, se Israel for mantido, Espanha deverá tomar medidas, lembrando que o primeiro-ministro Pedro Sánchez já apelara à União Europeia de Radiodifusão (EBU) para banir Israel, evocando a exclusão da Rússia após a invasão da Ucrânia. “Não se trata de antissemitismo denunciar o genocídio em Gaza”, frisou Urtasun, acusando o governo israelita de ser “genocida”.

Peças de dominó começam a cair entre países da Eurovisão?

A decisão final caberá à RTVE, a televisão pública espanhola, que já tinha manifestado reservas quanto à presença israelita na edição de 2025.

Espanha junta-se assim à Eslovénia, cujo canal público RTVSLO anunciou que não participará em Viena caso Israel esteja em competição, e aos Países Baixos, onde a AVROTROS também admite rever a sua participação.

Atualização: Também a Irlanda e os Países Baixos se juntaram ao grupo de países que ameaçam sair do concurso caso Israel se mantenha.

O Diretor Geral da RTÉ, Kevin Bakhurst, disse que “a RTÉ sente que a participação da Irlanda seria inconcebível, dada a contínua e terrível perda de vidas em Gaza. A RTÉ também está profundamente preocupada com o assassinato direcionado a jornalistas em Gaza, a negação de acesso a jornalistas internacionais ao território e a situação de reféns“.

Já a AVROTROS, emissora dos Países Baixos, diz não poder justificar a participação de Israel na situação atual, “dado o sofrimento humano contínuo e severo em Gaza“. A emissora também expressa profunda preocupação com “a séria erosão da liberdade de imprensa.”

JJ, vencedor austríaco posicionou-se de imediato contra a participação de Israel

Do lado artístico, o vencedor da última edição, JJ, reforçou a contestação ao declarar: “Gostava que, no próximo ano, a Eurovisão fosse em Viena… e sem Israel.” Além disso, mais de 70 artistas da Eurovisão assinaram uma carta aberta a exigir a expulsão de Israel e da sua emissora pública KAN.

A EBU prolongou o prazo para desistências sem penalização até dezembro, quando se espera uma decisão final sobre a participação israelita. Até lá, a ameaça espanhola marca um ponto de viragem: se até agora eram sobretudo países mais pequenos a contestar, a pressão passa agora a vir de dentro do núcleo que garante a própria viabilidade financeira da Eurovisão.

Afinal de contas, até quando se pode falar de inclusão e paz como pilares da Eurovisão enquanto a Palestina é massacrada?


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Respostas de 4 a “Espanha é o primeiro país dos Big 5 a ameaçar abandonar a Eurovisão se Israel participar em 2026”

  1. […] Espanha é o primeiro país dos Big 5 a ameaçar abandonar a Eurovisão se Israel participar em&nbsp… […]

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  2. […] pressão internacional tem vindo a crescer. Irlanda, Países Baixos e Espanha, um dos países que integram os Big 5, juntaram-se à Islândia e à Eslovénia nos apelos à EBU para expulsar Israel do […]

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  3. […] Porque convém não esquecer que Israel vive um regime liderado pelo governo de Benjamin Netanyahu onde fazem parte um autoproclamado “homofóbico fascista” como ministro das Finanças e um ministro da Educação que defende as práticas de conversão. E que, ainda recuando a um dos maiores palcos culturais do mundo, a Eurovisão, o próprio governo financia campanhas de promoção à canção israelita (e não a emissora, como acontece com várias canções de outros países). Porque é a narrativa de Israel que, com a ajuda do pseudo-bloqueio político do festival, prevalece no fim. Talvez não por muito mais tempo. […]

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  4. […] RTVE cumpriu o que tinha anunciado em setembro: deixará de participar e também não transmitirá o concurso. No comunicado, recorda que o Conselho de Administração decidira já que Espanha sairia caso […]

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