
Faz dez anos que a adoção por casais do mesmo sexo se tornou possível em Portugal. Foi o fim de uma das lutas mais longas do movimento LGBTQ+, marcada por anos de avanços e recuos no Parlamento. Hoje, o impacto é discreto em números, mas imenso nas vidas transformadas: 71 crianças encontraram família entre 2017 e 2024.
Evolução das adoções ao longo dos anos
A integração destas crianças cresceu de forma lenta, mas constante. Ao Público, o especialista e psicólogo Jorge Gato considera natural que os números sejam minoritários, como acontece noutros países. Já a pandemia também poderá ter diminuído o ritmo dos processos momentaneamente.

Instituições mais preparadas e famílias mais confiantes
A Santa Casa da Misericórdia de Lisboa e o Instituto da Segurança Social investiram em formação específica para garantir processos inclusivos. O investigador destaca a “abertura” e a “vontade de saber” das equipas técnicas envolvidas.
A ciência diz-nos que não há diferenças na competência parental entre casais heterossexuais e casais do mesmo sexo. O desafio maior está, sim, em elementos externos como o estigma social. Muitas destas famílias têm, no entanto, experiência própria de minoria, o que lhes dá ferramentas importantes para apoiar crianças que também podem enfrentar discriminação.
Caminhos diferentes para a parentalidade
Os dados mostram mais casais de homens do que de mulheres a adotar. As razões são estruturais: mulheres podem recorrer à PMA; homens não têm acesso à gestação de substituição. Para muitos casais de homens, a adoção é o único caminho possível para exercer parentalidade.
É de notar que a parentalidade masculina continua a enfrentar mais estranheza social. Alguns casais sentem essa pressão adicional e desenvolvem práticas parentais mais equilibradas, combinando autoridade e cuidado, segundo o investigador. Já as famílias compostas por mulheres enfrentam menos resistência, porque a sociedade continua a associar o cuidado ao feminino.
Independentemente dos caminhos para a parentalidade, celebramos uma década de avanços. No centro destes números e destas famílias estão 71 crianças que encontraram estabilidade, cuidado e amor. São também 53 famílias que puderam existir sem discriminação e protegidas pela lei. Cada adoção é, assim, uma vitória das famílias, todas elas.
Para um retrato daquele momento histórico, a esQrever desafiou em 2016 várias pessoas deputadas para falarem sobre os seus motivos para a abertura à adoção de crianças por famílias arco-íris na série de crónicas “Escrever a Adoção“.
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