
Um tribunal de Paris condenou, esta semana, dez pessoas por uma campanha coordenada de assédio online contra Brigitte Macron. O alvo foi a primeira-dama francesa, falsamente acusada de ser uma mulher trans.
O grupo, composto por oito homens e duas mulheres, difundiu alegações sabidamente falsas sobre a identidade de género de Brigitte Macron. A narrativa central afirmava que teria nascido com o nome Jean-Michel Trogneux, que corresponde ao nome do seu irmão mais velho.
O tribunal concluiu que não se tratou de crítica política, mas de assédio dirigido e reiterado. As publicações visaram a reputação, a dignidade e a vida pessoal da primeira-dama, recorrendo a linguagem degradante e difamatória.
Segundo a acusação, muitas mensagens focavam-se explicitamente no género e na sexualidade de Brigitte Macron. Algumas tentaram ainda instrumentalizar a diferença de idades de 24 anos em relação ao Presidente Emmanuel Macron, comparando a relação a “pedofilia”. O tribunal considerou essas afirmações maliciosas e ofensivas.
Penas de prisão suspensas e ações de sensibilização
As pessoas condenadas receberam penas de prisão suspensas até oito meses. A decisão prevê também medidas complementares, incluindo ações obrigatórias de sensibilização para o abuso online e o cyber-assédio.
Paralelamente, o casal Macron avança com um processo por difamação nos Estados Unidos contra a influenciadora de extrema-direita Candace Owens. Owens tem repetido as mesmas alegações falsas nas suas plataformas, negando qualquer irregularidade e reafirmando publicamente a teoria conspirativa.
A desinformação circula internacionalmente desde, pelo menos, 2021, ressurgindo em momentos de maior tensão política em França. Brigitte Macron raramente comentou o caso, mas familiares já relataram o impacto profundo do assédio na sua vida e na da família, incluindo netas e netos.
O policiamento do corpo e do género das mulheres
Este caso não é isolado, aliás, nem é novidade para Brigitte. Insere-se num padrão mais amplo de policiamento transfóbico que afeta mulheres trans, cis e racializadas. Qualquer corpo ou expressão que fuja a normas rígidas de feminilidade torna-se alvo de suspeita e violência simbólica.
A atriz Erin Darke, mulher cis, foi recentemente visada por campanhas semelhantes. A sua aparência física foi usada para questionar a sua “legitimidade” enquanto mulher, num exercício clássico de vigilância misógina.
No desporto, mulheres negras cis como Caster Semenya, Christine Mboma ou Beatrice Masilingi foram afastadas de competições por apresentarem níveis naturais de testosterona considerados “excessivos”. A ciência foi instrumentalizada para impor um ideal racializado e restritivo de corpo feminino.
Estes episódios revelam uma lógica comum. A transfobia não se limita às pessoas trans. Funciona como um mecanismo de controlo sobre todas as mulheres, reforçando padrões coloniais, racistas e patriarcais de género.
O caso de Brigitte Macron expõe essa realidade de forma clara. Quando o género se torna arma política, nenhuma mulher está fora do seu alcance.
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