Young Hearts estreia em Portugal: quando o primeiro amor encontra espaço para respirar

Young Hearts estreia em Portugal: quando o primeiro amor encontra espaço para respirar

Estreia nos cinemas portugueses, a 26 de fevereiro, o filme Young Hearts – O Primeiro Amor, um retrato delicado e luminoso do primeiro amor e da descoberta da identidade na adolescência.

Escrito e realizado por Anthony Schatteman, o filme nasce de uma motivação pessoal: a vontade de contar a história que o realizador sentiu falta de ver enquanto crescia, num tempo em que narrativas queer raramente ofereciam espaço para ternura ou esperança.

À primeira vista, a associação ao aclamado Close surge quase de forma automática. Ambos os filmes centram-se na intimidade emocional entre rapazes adolescentes e no impacto que o olhar exterior pode ter sobre essa proximidade. No entanto, Young Hearts afasta-se rapidamente desse registo mais austero e trágico, optando por um tom mais caloroso, atento aos pequenos gestos e às possibilidades de cuidado, mesmo quando o medo se instala.

Uma história partilhada entre dois rapazes

A história acompanha Elias (Lou Goossens), um rapaz de 14 anos que vive numa zona rural da Bélgica, cuja rotina tranquila é subtilmente transformada com a chegada de Alexander (Marius De Saeger), o novo vizinho vindo de Bruxelas. Entre os dois nasce uma amizade marcada por curiosidade mútua, conversas aparentemente banais e uma proximidade que Elias ainda não consegue compreender por completo.

Alexander, mais confiante e seguro de si, fala com naturalidade sobre ter estado apaixonado por outro rapaz, colocando Elias perante uma pergunta que ecoa ao longo de todo o filme: o que significa, afinal, estar apaixonado?

À medida que essa ligação se aprofunda, Elias começa a reconhecer sentimentos que não sabe como gerir. O desejo de pertença entra em conflito com o receio do julgamento e da rejeição, levando-o a negar aquilo que sente e a afastar-se progressivamente de quem lhe é próximo.

O filme acompanha este processo com grande sensibilidade, recusando explicações fáceis ou dramatizações excessivas. Em vez disso, constrói-se a partir de silêncios, hesitações e olhares que dizem mais do que qualquer declaração explícita.

Young Hearts é sobre vivermos sem amarras quem somos e o que sentimos

Young Hearts estreia em Portugal: quando o primeiro amor encontra espaço para respirar

Selecionado para a secção Generation Kplus do Festival Internacional de Cinema de Berlim, Young Hearts afirma-se também como um gesto político discreto, mas firme. Ao recusar a inevitabilidade da tragédia nas narrativas queer, o filme propõe outras formas de existir no ecrã, onde a vulnerabilidade não conduz necessariamente à punição.

Num contexto europeu marcado por ataques renovados à visibilidade LGBTQIA+, Young Hearts ganha uma relevância acrescida. Importa porque oferece representação sem sensacionalismo. Importa porque valida sentimentos muitas vezes desvalorizados. Importa porque lembra que o primeiro amor pode ser um lugar de descoberta, mas também de cuidado, dignidade e esperança.

Young Hearts não promete finais fáceis nem soluções universais. O que oferece é algo mais raro: tempo, espaço e sensibilidade para acompanhar um processo de crescimento sem o julgar. E, nesse gesto simples, reside a sua maior força.

Nos cinemas a 26 de fevereiro, vê o trailer de seguida:


Subscreve à nossa Newsletter Semanal Maravilha Aqui! 🙂
Todos os sábados de manhã receberás um resumo de todos os artigos publicados durante a semana. Sem stress, sem spam, a nossa orgulhosa Newsletter Semanal pode ser cancelada a qualquer momento! 🏳️‍🌈


A esQrever no teu email

Subscreve e recebe os artigos mais recentes na tua caixa de email

Deixa uma resposta

Apoia a esQrever

Este é um projeto comunitário, voluntário e sem fins lucrativos, criado em 2014, e nunca vamos cobrar pelo conteúdo produzido, nem aceitar patrocínios que nos possam condicionar de alguma forma. Mas este é também um projeto que tem um custo financeiro pelas várias ferramentas que precisa usar – como o site, o domínio ou equipamento para a gravação do Podcast. Por isso, e caso possas, ajuda-nos a colmatar parte desses custos. Oferece-nos um café, um chá, ou outro valor que te faça sentido. Estes apoios são sempre bem-vindos 🌈

Buy Me a Coffee at ko-fi.com