‘Lobo e Cão’, de Cláudia Varejão, estreia no Festival de Veneza e é uma ode à comunidade queer dos Açores

'Lobo e Cão', de Cláudia Varejão, estreia no Festival de Veneza e é uma ode à comunidade queer dos Açores
Ana (Ana Cabral) e Luís (Ruben Pimenta) em “Lobo e Cão”

A realizadora portuguesa Cláudia Varejão estará este ano no Festival de Cinema de Veneza com o filme “Lobo e Cão”. O filme foi escolhido para o programa competitivo “Dias dos Autores”, que acontecerá de 31 de agosto a 10 de setembro.

“Lobo e Cão” gira em torno de Ana, que nasceu na ilha de São Miguel nos Açores, onde a religião e a tradição imperam. Ela é a filha do meio de uma família de três pessoas, tendo crescido com a mãe e a avó. Ana rapidamente percebeu que raparigas e rapazes recebiam tarefas diferentes.

Através de sua amizade com Luís, o seu melhor amigo que é gay e ama vestidos como calças, Ana questiona o mundo que lhe é prometido. Quando a sua amiga Cloé chega do Canadá, Ana embarca numa jornada que a levará além dos seus horizontes limitados.

“Lobo e Cão” foi rodado em São Miguel, nos Açores, onde a realizadora Cláudia Varejão tinha estado em 2016, em residência artística, no Pico do Refúgio. Aquele espaço, situado em Rabo de Peixe, proporcionou-lhe “uma primeira entrada na ilha por uma vila muito particular, com características muito singulares, muito difíceis, socialmente, economicamente, a vários níveis”.

O filme “foi escrito a partir da experiência de uma série de jovens que conheci aqui na ilha, da minha própria experiência de quando fui jovem, e que ainda tenho em mim – trazemos todas a idades dentro de nós”, disse.

“O filme toca em questões sobre identidade de género, que me parecem, também, muito urgentes”, afirmou, frisando que não se deve “adiar representar aquilo que, tendencial e historicamente, tem sido invisível, como a identidade de género, a orientação sexual, as comunidades LGBTQI, que, num contexto mais pequeno, ainda são mais frágeis”.

Cláudia Varejão comentou ainda à Variety: “O que me impulsiona é a luta pela liberdade pessoal, a luta contra as desigualdades socioeconómicas e as injustiças enfrentadas pelas minorias, e essas são questões, acredito, que nos preocupam a todas. Isso é particularmente verdade quando lidamos com contextos mais isolados, como nas ilhas, onde tradições e crenças ancestrais são preservadas, e impedem que as sociedades se abram à mudança. Mas a juventude pouco se importa com a herança: questiona e quebra moldes; abre novos caminhos. Não há hora ou lugar mais ousados. É quando os véus são levantados e os olhos recebem tudo, pela primeira vez, sem julgar. Estes são dias brilhantes em que o amor pode alcançar qualquer coisa.”

Quentin Worthington, chefe de vendas e aquisições da distribuidora MPM Premium, comentou: “Somos admiradores de longa data do olhar sensível de Cláudia e da exploração do íntimo. Com “Lobo e Cão”, estamos entusiasmados em trazer ao mundo um filme que reflete as aspirações da juventude de hoje. É uma luz de esperança num momento em que os direitos fundamentais das mulheres e da comunidade LGBTQI+ estão ameaçados. Somando-se à sua mensagem alegre e combativa, este drama gay de amadurecimento é visualmente impressionante, com fascínios para as primeiras obras de Xavier Dolan e Alice Rohrwacher.”

O trailer do filme já está disponível:

O elenco é liderado por Ana Cabral, Ruben Pimenta e Cristiana Branquinho. O diretor de fotografia é Rui Xavierm e o editor é João Braz. A música é de Xinobi. A produção é da Terratreme Filmes.

Cláudia Varejão é autora de curtas e longas-metragens como “Falta-me”, “Luz da Manhã”, “No Escuro do Cinema Descalço os Sapatos”, sobre a Companhia Nacional de Bailado, e os recentes “Ama-san” e “Amor Fati”.

Cartaz do filme 'Lobo e Cão', de Cláudia Varejão.
Cartaz de “Lobo e Cão”

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