A Liberdade Dos Afectos

O tema dos afectos já passou por este blog uma, duas ou até três vezes e é, certamente, um dos temas que mais importa que seja recorrente porque as demonstrações de amor, sejam elas de que natureza forem, não podem ser símbolo de ódio.

E, sim, hoje em dia começamos a ver, e bem, casais do mesmo sexo a darem as mãos em público nas grandes cidades ocidentais. Aos poucos, começa a haver a exposição necessária para que parte da sociedade entenda que aquele gesto, talvez monstruoso em algumas cabeças, não tem nada de especial se não a simplicidade de um gesto de amor, de compromisso.

Porque quem dá a mão, quem beija ou abraça não o fará para chocar mas sim para demonstrar carinho e afecto. E isso é algo que é simples de entender quando o vemos livres de preconceito. São gestos tão válidos como os transmitidos, e bem, por casais de sexos opostos. E isto, acredito, é simples de perceber.

E, no entanto, todos sabemos, por experiência própria ou porque assistimos ou ouvimos falar, de casais gays e lésbicos que foram olhados, gozados e, em alguns casos até, violentados pelo simples facto de partilharem publicamente afectos.

São experiências que muitas pessoas sofrem todos os dias e chega a ser difícil a um heterossexual meter-se na pele e compreender por completo o alcance de toda esta homofobia. Mas foi precisamente para se meterem na pele que dois apresentadores de rádio da BBC, Iain Lee e Justin Dealey, se propuseram a andar de mãos dadas em público e registar a reação das pessoas em seu redor. Foi este o resultado:

O argumento dado pela mulher que diz não concordar com a homossexualidade é, no mínimo, bizarro porque o que é que há para concordar? É este tipo de eufemismos que tentam disfarçar, mal, uma homofobia óbvia, floreada nas palavras em nome do politicamente correcto. Ao menos o adolescente que aparece a seu lado no vídeo foi mais directo e afirmou que era simplesmente nojento.

É esta a educação que os pais querem transmitir aos seus filhos? É este o exemplo? Numa altura em que a liberdade de expressão é tão discutida e reivindicada, importa saber qual o limite que lhe impomos todos nós. De que tamanho são os nossos quintais? Qual o alcance dos nossos braços? Para quê defender algo se algo é tão pouco e se facilmente o corrompemos com preconceitos e fobias?

Dêmos, portanto, as mãos, unamos os lábios e apertemos os abraços, pois é disso que falamos e defendemos quando rematamos Je Suis Charlie. E não menos que isso.

Fonte.

PS – Nem a propósito, as Bichas Cobardes discutiram este tema no seu último podcast.

Anúncios