Nigel Farage criticado por apoiar líder religioso que classificou a homossexualidade como “abominação”

Nigel Farage criticado por apoiar líder religioso que classificou a homossexualidade como “abominação”

© European Union 2013 - European Parliament
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Líder do Reform UK manifestou apoio a pastor que associa pessoas LGBTQ+ ao inferno e à condenação divina

Nigel Farage, líder do partido britânico reformista, está a ser alvo de críticas depois de ter manifestado apoio público a um pastor cristão que descreveu a homossexualidade como uma “abominação” e associou pessoas LGBTQ+ à condenação eterna no inferno.

A polémica surgiu depois de Farage ter gravado um vídeo com Stephen Clayden, líder da igreja Bread of Life, na sequência de uma disputa com o município de Colchester, em Inglaterra. A autarquia procurou impor restrições à pregação de rua promovida por Clayden, na sequência de queixas relacionadas não apenas com o volume das intervenções, mas também com o conteúdo discriminatório das mensagens transmitidas.

No vídeo partilhado, Farage garantiu ao pastor estar “totalmente do seu lado” e indicou mesmo que poderia recorrer a contactos na organização Free Speech Union, grupo conhecido por defender casos enquadrados como disputas em torno da liberdade de expressão.

Declarações homofóbicas documentadas

As críticas intensificaram-se perante o historial público de Stephen Clayden. Em gravações partilhadas nas redes sociais, o pregador surge a afirmar que “adúlteros, fornicadores, sodomitas, bêbados, ladrões, blasfemos, mentirosos” terão como destino “o lago de fogo”, numa referência à condenação eterna. Noutra intervenção, Clayden afirmou que as pessoas ficam ofendidas porque “a Bíblia diz que a homossexualidade é uma abominação”.

Segundo informações divulgadas pela imprensa britânica, a própria igreja Bread of Life participou em eventos da Pride Week em Essex no ano passado, onde repetiu mensagens anti-LGBTQ+. Numa dessas ocasiões, Clayden terá descrito a homossexualidade como “vil, repugnante e perversa”, classificando-a como um pecado “tão perverso e detestável que merecia a morte”.

“Liberdade de expressão” como escudo político

O caso reacendeu o debate sobre a instrumentalização do argumento da liberdade de expressão para proteger discursos discriminatórios.

Embora o conflito com o município tenha sido inicialmente apresentado como uma questão relacionada com limitações à pregação pública, o próprio Clayden reconheceu posteriormente que as preocupações das autoridades incluíam explicitamente o teor homofóbico das mensagens promovidas pela sua igreja.

A distinção entre liberdade religiosa ou liberdade de expressão e discurso de ódio continua a ser uma linha de forte debate político e jurídico no Reino Unido, especialmente num contexto de crescente polarização alimentada por setores conservadores e de extrema-direita.

Críticas políticas perante aproximação a vozes extremistas

O Partido Trabalhista condenou o apoio de Farage.

Uma e outra vez, Nigel Farage encontra-se na companhia de vozes extremistas”, afirmou fonte trabalhista, acusando o político de falhar em condenar declarações homofóbicas e, pelo contrário, ampliar a sua visibilidade pública.

A controvérsia soma-se a outras críticas dirigidas a Farage e ao Partido Reformista relativamente ao alinhamento com discursos divisionistas e à normalização de posições hostis contra grupos minoritários.

O episódio encaixa num padrão mais vasto observado em vários países europeus e nos Estados Unidos, onde figuras políticas da direita radical têm recorrido à retórica da liberdade de expressão ou da liberdade religiosa para legitimar discursos hostis contra pessoas LGBTQ+.

Mais do que uma discussão abstrata sobre direitos fundamentais, estes episódios traduzem-se, porém, em impactos concretos: normalização do preconceito, legitimação da discriminação e reforço de ambientes hostis para comunidades já vulnerabilizadas.


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