O Preconceito E O Amor De Thorsten E Naparuj

Thorsten Middelhof e Naparuj Mond Kaendi. Dois nomes desconhecidos que nas passadas semanas passadas deram que falar nas redes sociais por esse mundo fora com a publicação da foto viral do casal gay a segurar mãos num transporte público em Bangkok, cidade natal de Naparuj, anunciando “Apoiem-nos: pessoas amargas não são bem vindas”.

Esta foto de afecto entre o engenheiro alemão Thorsten e o director criativo tailandês Naparuj causou uma indignação (in)esperada por parte dos cibernautas não só pelas típicas reacções homofóbicas que este tipo de demonstração de amor normalmente desencadeia. Muitas das reacções negativas partiram por parte da comunidade LGBT, nomeadamente aqueles que insistem em negar que seja possível duas pessoas de mundos tão diferentes e directivas de masculinidade tão díspares amarem-se.

Na realidade, mais do que homofobia, existe aqui uma xenofobia e racismo adjacentes a um padrão do que é ser-se homem. Um homem, gay ou não, nunca deverá fugir das normativas aplicadas ao género. Não é fora do comum ver-se escrito em perfis de sites ou aplicações de encontros gay “não a todos os efeminados” ou frases derrogativas semelhantes.

Mesmo por parte do público geral é mais fácil aceitar a homossexualidade em pessoas como Thorsten, branco e típicamente masculino, do que em pessoas que se aproximam mais de Naparuj, que não encaixa nos padrões ocidentais de masculinidade, que a própria comunidade parece querer segregar a um grupo distinto e demasiado estereotipado para ser levado a sério. Depois de vozes dentro da comunidade reduzirem Naparuj como um “animal de estimação” sexual do ideal germânico de Thorsten o blog De Preto para Preto disse o seguinte sobre o assunto:

Vivemos numa sociedade que diz que negros, asiáticos e índios não merecem estar com pessoas brancas, e isso vai desde espaço hetero até ao LGBT. Pessoas brancas são postas como prémio, são os endeusados pela comunidade como sonho de matrimónio e tal, ainda é um choque tão grande ver os “deuses gregos” com pessoas não brancas , elas são tão “especias” que  ninguém não branco pode ficar/tocar/namorar, e quando namora é lido como algo anormal, “magia negra”, “macumba”.

As pessoas estão tão perdidas em esse mundo medíocre de aparências racistas e elitistas que um gesto de amor gera tanto susto e ódio.   E nem vale apena vir com comentários do tipo “eles não combinam” o que não combina és tu, gay, com esse preconceito, o que vale é lutar contra os homofóbicos quando se é racista, misogino, transfóbico e elitista.

As lutas continuam. E este casal, agora célebre e com a sua própria página de Facebook que anuncia um amor desprovido de todos os preconceitos, é um modelo a seguir e celebrar.

Fonte: Huffington Post

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