Argentina: Pena De Violador Reduzida Por Vítima De Seis Anos Ser Gay

Esta é uma daquelas notícias que tive que ler duas vezes para confirmar que a tinha percebido à primeira tal a confusão que me provocou. Noticia o Expresso, mencionando o El Mundo, que esta semana, na Argentina, a pena de um violador condenado foi reduzida quase para metade por a vítima, de seis anos, ser uma criança gay.

Pior, os juízes de Buenos Aires justificaram a sua decisão por a vítima ter “orientação homossexual e estar acostumado a ser abusada. Ele é gay, tem a sexualidade definida. Ocorreu o abuso, mas não é tão ultrajante“. Mario Tolosa viu assim a sua pena reduzida para metade!

Explica o Expresso:

O violador é vice-presidente do clube de futebol Florida, na cidade de Vicente Lopez, e foi assim que terá entrado em contacto com o menino. O crime aconteceu a 6 de março de 2010, quando Tolosa foi buscar a vítima a casa de um familiar, com a desculpa que aquela era uma boleia para o treino de futebol.

O menino de seis anos, avança o “El Mundo”, nunca chegou a entrar em campo. Agressor e vítima ficaram nos balneários. Antes da violação, Tolosa bateu na criança quando esta ofereceu alguma resistência.

Quem se apercebeu que algo estava errado, foi avó do menino quando viu nódoas negras e lesões nos órgãos genitais da criança.

O acórdão segue agora para o Supremo Tribunal de Buenos Aires.

Segundo a comunidade homossexual de Buenos Aires, esta já não é a primeira decisão judicial do género. Em 2011, um pastor evangélico foi condenado por estuprar duas adolescentes, de 14 e 16 anos, mas viu a sua pena ser reduzida, por o Tribunal considerar que as vítimas “são de um nível social em que as relações sexuais em tenra idade são aceites”.

É incrível como este tipo de situações pode ocorrer, reduzindo a pena e, portanto, dando poder a um criminoso de um acto tão imundo como este com a justificação que a vítima, ainda para mais criança, ser gay. São argumentos que insultam qualquer pessoa que deseje justiça. São argumentos que minoram uma pessoa pela sua orientação sexual. São argumentos que validam a lógica do meteu-se a jeito e do estava a pedi-las. São argumentos que continuam o caminho de destruição de um ser vulnerável. E tudo isso não pode simplesmente ser argumento em situação alguma!

Fontes: Expresso e El Mundo.

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