O Desporto E A Homofobia

Saiu recentemente um estudo, Out On The Fields, que se debruçou sobre a homofobia no desporto, um tema que é muitas vezes silenciado tal é o grau extremo de ódio que existe dentro da área (ha…!). É precisamente por isso que o estudo recomenda tolerância-zero à discriminação e uma melhor formação dos treinadores, professores e funcionários.

Aproveitando a boleia do programa da RTP, Linha Da Frente, que no passado Sábado se focou neste estudo e mostrou uma perspectiva portuguesa sobre a homossexualidade dentro do desporto (em particular no futebol), aqui vos apresentamos as conclusões do mesmo:

Os resultados da investigação, conduzida no Reino Unido, Irlanda, Estado Unidos, Canadá, Nova Zelândia e Austrália, mostram que, apesar da prevalência de homofobia, muitos jovens atletas estão a assumir a sua homossexualidade.

Esta análise revelou que mais de metade dos homens (60 por cento) e mulheres (54 por cento) homossexuais, bem como de 24 por cento dos homens heterossexuais disseram ter sido pessoalmente alvo de homofobia.

85 por cento dos participantes do Reino Unido (incluindo aqueles que se descrevem como heterossexuais) acredita que uma pessoa abertamente gay, lésbica ou bissexual, não estaria em segurança como espectador num evento desportivo. Quase metade (48 por cento) de homens gays que não praticam actualmente desporto em equipas foram desencorajados pelas experiências de homofobia nas aula de educação física da escola.

Além disso, o relatório diz que 21 por cento dos homens e 14 por cento das mulheres homossexuais sofreram agressões; já 26 por cento dos homens e 18 por cento das mulheres homossexuais relataram ameaças de agressão.

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Robbie Rogers, jogador de futebol assumido gay

O atleta Robbie Rogers, disse que “todos nós devemos ser capazes de desfrutar do desporto. Está na hora de cumprir a tolerância-zero da linguagem do ódio, dentro e fora de campo“. O jogador apoia que se proíba o acesso ao campo a qualquer pessoa que use linguagem homofóbica, racista ou discriminatória; e que os jogadores sejam igualmente punidos pelo uso desse tipo de linguagem.

O estudo conclui que os Estado Unidos é, de longe, o país com piores resultados onde foi realizado o relatório. Este mostra que os americanos são menos propensos a afirmar que as pessoas LGB são aceites na cultura desportiva (com uma taxa de percepção tão negativa que esta é o dobro da do Canadá, por exemplo). Os americanos são muito mais propensos a afirmar que a homofobia é mais comum no desporto que noutras àreas da sociedade.

Enquanto o número de celebridades cresce a cada ano na televisão e no cinema, o número de atletas profissionais assumidamente LGBT são escassos. No final da sua carreira na NBA, Jason Collins assumiu-se gay e jogou apenas mais uma temporada em 2014 antes de se aposentar. Já Robbie Rogers, mencionado atrás, por exemplo, é uma excepção, mantendo-se ainda hoje um atleta profissional no activo.

Megan Rapinoe, jogadora norte-americana assumidamente lésbica
Megan Rapinoe, jogadora norte-americana assumidamente lésbica

São nomes como os mencionados que importam reter, quando muitos dos melhores atletas mundiais são vistos como semi-deuses, é a eles que cabe dar o exemplo de tolerância, respeito e orgulho em si mesmos e nas pessoas que os rodeiam, é esse o espírito de equipa e é esse o valor pelo qual vale a pena jogar!

Fica por fim o vídeo de sensibilização contra a homofobia da campanha australiana You Can Play:

FontesABC.esAdvocate e RTP.

Nota: Obrigado ao Luciano pela partilha da notícia e à Célia pelo aviso ao programa Linha Da Frente 🙂

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