Cinema: “Orgulho” De Matthew Warchus

Orgulho” (“Pride” no original) é um filme de Matthew Warchus que tem recebido óptimas críticas (79 no Metascore) e que é baseado no apoio que mineiros galeses receberam de um grupo LGBT inglês aquando das polémicas greves em 1985 sob o poder de Margaret Thatcher.

No filme podemos ver várias histórias que se combinam na união pela luta dos direitos das pessoas; começando pelo jovem Joe que tem que mentir à sua família para poder ajudar e integrar o grupo LGBT; passando pelo prolífero activista Mark – interpretado por um inspirado Ben Schnetzer – que tem a brilhante ideia de se juntar à causa dos mineiros e ensiná-los a defenderem-se da polícia reivindicando os seus direitos.

Bill Nighly, Andrew Scott, Paddy Considine Orgulho LGBT filme cinema

O estilo britânico do filme é claro desde o início mas este supera-se ao não cair em lugares comuns e ao focar-se, acima de tudo, no poder que a união de várias pessoas – independentemente da sua idade, estatuto, orientação – e o respeito que elas nutrem umas pelas outras pode ser uma arma poderosa contra a tirania e o abuso dos mais fracos. Há momentos dramáticos que não caem no erro de ser gratuitos, como a revelação de uma das personagens ser seropositiva, no estilo bem-disposto do filme o tema do VIH/SIDA, ainda para mais em plena década de 1980, não é esquecido, mas o filme não cai na tentação do caminho fácil e as personagens são tratadas com a dignidade devida.

Há também, como é costume nestes filmes, os momentos de humor claramente britânico, como o da simpática personagem Gwen, senhora viúva de um mineiro que julgava que as lésbicas eram todas vegetarianas. Curiosa também é a breve aparição do actor Russell Tovey (da nossa série favorita Looking) como um ex-namorado misterioso e trágico de Mark.

Pride Movie 2014 5

Não deixa de ser, digamos, caricato, que, aquando do lançamento do DVD do filme nos Estados Unidos da América, todas as referências à temática LGBT foram apagadas da capa e contra-capa do mesmo, ou seja, trinta anos passados ainda estamos aqui a lidar com o mesmo tipo de preconceito e homofobia mais ou menos explícitos. Não deixa de ser irónico que um filme que tenta unir tudo e todos por uma causa seja tratado pela própria equipa de promoção. Valham as críticas duras que essa escolha recebeu.

Orgulho – decisões de promoção à parte – é um filme que dá gosto ver, que, sem perder a boa-disposição, não ignora os temas sociais e os problemas que estas pessoas, num tempo em que a sociedade era muito mais fechada e a homofobia estava não só nas acções das pessoas mas igualmente na lei, num Estado que as deixava desamparadas por serem LGBT. É um filme que inspira e exige respeito; respeito e orgulho, sejamos homens ou mulheres, LGBT ou hetero, galeses ou ingleses, jovens ou séniores. Porque agora é sempre a altura ideal para nos tornarmos numa melhor versão de nós mesmos. E juntos, fica provado com a história deste filme, é tão mais fácil!

Fontes: IMDb e Daily Mail.

Nota: Obrigado ao nosso “Contador D’Estórias” pela dica sobre o filme 🙂

Anúncios