Adopção: O Dia Em Que A Família Ganhou

Tenho este hábito de escrever antes do tempo. Impulsionado pela expectativa, mas acima de tudo pela esperança que o nosso mundo mude um pouquinho hoje e, com ele, a sociedade que nos acompanha escrevo estas palavras de véspera. Afinal de contas é no escrever que este espaço se reflecte.

Hoje é o dia em que ganhou a Família – não a minha, não a tua, ou a do vizinho, mas todas elas, com um F dos grandes! Com a aprovação esta manhã na Assembleia da República dos projectos de lei do Partido Socialista, do Bloco de Esquerda, do Partido Ecologista “Os Verdes” e do Pessoas, Animais e Natureza sobre a alteração de lei da adopção e co-adopção, é dado o derradeiro passo para que Portugal deixe de ter famílias de primeira e famílias de segunda. A votação histórica dos deputados diz que, a partir de hoje, todas as famílias são dignas da sua protecção e que devem ser respeitadas na lei como tal.

É dado o passo decisivo para Portugal deixar de viver num paradoxo legal em que a orientação sexual de uma pessoa é considerada irrelevante para se propor à adopção de uma criança a título individual; mas, se a mesma pessoa desejar fazê-lo com @ parceir@ ou com a pessoa do mesmo sexo com quem casou, viria a proposta automaticamente recusada. Esta discriminação legal, que humilhava famílias inteiras, finalmente acabou. Portugal tornou-se neste dia um País mais justo e regressa assim à linha da frente da questão LGBT juntando-se a outros vinte países onde a adopção plena existe.

Hoje são as famílias que ganham, todas elas, e também com elas as crianças que vêem assim o seu direito a serem acolhidas, protegidas e amadas alargado. É este, definitivamente, o superior interesse da criança de que tanto se fala. Que não nos restem agora quaisquer dúvidas: o Amor venceu!

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