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Estudos revelam homofobia alarmante em Portugal

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Sexta-feira foi aprovada derradeiramente a adoção plena por casais do mesmo sexo, depois de aprovada na Especialidade e passar novamente pela votação dos deputados na Assembleia da República. Um passo gigante na direcção certa em busca da igualdade social em Portugal, sinal positivo de progresso e liberdade. Mas para os que acreditam que começa a deixar de existir discriminação no nosso país, surgem estudos totalmente contraditórios.

O investigador Pedro Costa do ISPA – Instituto Superior de Psicologia Aplicada – conduziu uma série de três estudos independentes em que questionava os inquiridos sobre a homoparentalidade. Um dos mais preocupantes deu-se junto da população estudantil de três universidades na cidade de Lisboa que, como noticiou o DN, teve os seguintes resultados:

Foi uma amostra aleatória com uma população informada e jovem. Cerca de 92% dos estudantes [heterossexuais] dizem que os gays não se preocupam com o interesse superior da criança. E 70% responderam que não deviam exercer funções parentais. Há dez anos, um estudo semelhante no Reino Unido mostrava o oposto: 70% achavam que tinham essas capacidades.

Também no mesmo estudo foi revelado que 56% dos estudantes acreditavam que a orientação sexual se tratava de uma escolha e que 87% dos mesmos consideravam a homossexualidade uma doença mental, que era apreendida por contacto com outras pessoas gay.

Num outro estudo do mesmo investigador, desta vez com uma maior amostragem e com indivíduos também com um nível elevado de educação, o preconceito era igualmente espelhado:

Quando se apresentam três cenários, os casais do mesmo sexo são avaliados mais negativamente enquanto pais, devido às expectativas de desenvolvimento das crianças, sobretudo nos casais de dois homens, sendo vulgar alegações como a falta de papéis tradicionais, carências afetivas e experiências de discriminação. No caso de serem duas mulheres a avaliação é menos negativa.

Tal como já tinha sido demonstrado neste espaço há algum tempo, a educação e a tolerância são totalmente independentes. Pessoas de elevado grau de formação, jovens e informadas não parecem ter a mentalidade expectável, especialmente quando comparadas com a população mais velha ou de maior convicção religiosa, muitas vezes (injustamente) classificada como a mais preconceituosa relativamente a temas LGBT. Basta olhar para a secção de comentários desta mesma notícia, actividade dolorosa mas que por vezes tem que ser feita, e verificar uma total desinformação, aparentemente auto-imposta, sobre o tema em causa:

comentário tatiana homofóbico

Estes sintomas são preocupantes e sinal que a luta está apenas no início, sendo necessário continuar a vocalizar a necessidade de uma sociedade mais tolerante e informada relativamente aos estudos científicos que nas últimas décadas reportam acerca da igualdade entre as capacidades parentais de casais homossexuais e heterossexuais, resultando numa educação indistinguível entre as crianças resultantes de ambos os ambientes familiares.

É inacreditável que estes estudos sejam de facto feitos em Portugal, que, também segundo Pedro Costa, levam a que o nosso país esteja ao nível de países da antiga União Soviética em termos de mentalidade social. No entanto surge do último estudo, uma conclusão mais animadora:

“As pessoas que têm mais ligação com pessoas LGBT [lésbicas, gays, bissexuais e transgéneros] sentem mais conforto e têm menos preconceitos. Por outro lado, há mais preconceitos se estes contactos forem distantes. Se forem amigos ou pessoas da família, a perceção negativa é menor”

Face a tudo isto é importante continuar a pressionar os nossos legisladores a continuarem a avançar no sentido da igualdade plena de direitos da comunidade LGBT, de forma a combater este preconceito ainda demasiado enraizado na sociedade. Ainda mais importante é, para os que conseguem juntar as condições para tal, viver de forma verdadeira e sem omissões, encarando o medo da perseguição e do preconceito. Apesar de tudo estamos num estado democrático que nos protege contra ataques de ódio mais violentos, o que não é verdade na maior parte do Mundo. Só assim conseguiremos provocar as mudanças mais definitivas que tanto queremos ver concretizadas.

Fonte: Diário de Notícias

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3 Comments »

  1. Pessoas de elevado grau de formação, jovens e informadas não parecem ter a mentalidade expectável, especialmente quando comparadas com a população mais velha ou de maior convicção religiosa, muitas vezes (injustamente) classificada como a mais preconceituosa relativamente a temas LGBT.

    Em nada me espanta. Nada! Creio que o mesmo se passará com qualquer professor de Ciências Naturais/Biologia que aborde este temas de forma aberta. Atualmente, nas nossas Escolas, impedem-nos de ensinar a pensar e criticar. Continuo a lutar contra tal instância e assim continuarei, independentemente do tema. Um professor deve procurar mudar mentalidades, apresentar caminhos, abrir horizontes.
    Como já aqui escrevi e muitas vezes no meu blogue, às questões de homossexualidade, transgénero e dos hermafroditas são compreendidas com facilidade pelos “meninos” das aldeias, muitos dos quais em contactos com os animais. Os das vilas/cidades, desde cedo, têm a cabeça cheia de “ideias”. E se um dia descobrirem que são diferentes?
    Urge mudar os programas, mudar este sistema de ensino em que as crianças estão na escola como frangos nos aviários. Urge viver, cair, saltar, correr, ser criança, adolescente e… sentir.

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