Orgulho LGBT para Totós: Capítulo II

No final do primeiro Capítulo, prometi a regularidade deste Orgulho LGBT para Totós, uma enciclopédia sardónica que não é para ser levada a sério e que lida com alguns dos preconceitos mais estapafúrdios sobre a comunidade LGBT. E como sou um homem cumpridor da sua palavra, nem um ano passou e aqui fica mais um Capítulo. As sapatilhas estão mais gastas (e eu muito mais), mas a parvoeira está igual. Start your engines.

Balela #1 – Os bissexuais estão todos em negação?

Sim, os pobres coitados estão em negação que hoje em dia ainda se faça essa pergunta idiota. Se é realidade que muitos jovens, por medo de discriminação no início do coming out passam por uma época de transição em que se assumem como bissexuais, também é verdade que há muitas pessoas que não se enquadram numa sexualidade exclusiva de um só género. Existe ainda a pansexualidade, que nega todas essas mesmas identidades binárias de género não os reconhecendo na atracção sexual,  incluindo pessoas queer, que não se identificam totalmente com nenhum género em particular, ou intersexo, que têm características genéticas e fisiológicas de ambos os géneros. E agora vou parar que corro o risco de parecer professoral, uma espécie de Marcelo antes da Presidência. Mas com menos pó laranja na fuça, já vi concorrentes do Drag Race com maquilhagem mais natural.

Balela #2 – Mas porquê chamar-lhe casamento? Estão a destruir a noção de casamento para o resto da população.

Isto é quase enternecedor, dar aos homossexuais uma responsabilidade na destruição do casamento heterossexual. Como se fosse preciso alguma ajuda, basta continuarem a comprar a roupa no Continente que isso segue o seu rumo natural. E vamos ser honestos, se o teu marido diz isso é porque às Segundas às noites vai para o Finalmente com o intuito de ser apalpado porque alguém pensou que o traseiro dele era um enchumaço do vestido de uma queen. Chamamos-lhe casamento porque é assim que deve ser chamado, com os mesmos direitos legais e sociais de qualquer outro matrimónio. E não admitimos menos que isso. Se têm mesmo problemas com o casamento gay vão a um, pode ser que gostem de não ter de comer croquetes da Makro.

Balela #3 – Qual é o homem e qual é a mulher na vossa relação?

A sério? Queres saber? Queres MESMO saber? Ok, eu anteontem, por exemplo, estava numa de ser passivona, porque é isso que a vossa mente trogolodita vê no papel da mulher durante o sexo. Mas a meio lembrei-me que tinha ido ao restaurante indiano ao almoço e mudei de ideias. Aí de repente fiquei com medo e fiquei um autêntico machão. Até porque a maior virilidade, como a História relata, surge é nestes momentos de grande aperto. Vamos lá esclarecer as coisas: quando eu te perguntar se gostas de usar dildos da Hello Kitty que vibram ao compasso do Someone Like You, terás legitimidade para isso. Até lá, imagina aquilo que quiseres. Mas com as mãos atadas e o cinto apertado por favor, que não quero ter esse peso na minha consciência.

Balela #4 – Sempre quis ter amigos gays!

E eu sempre quis ter amigos com QI superior a 50 mas pelos vistos esse sonho de criança não está em vias de se realizar. Se achas que por eu ser gay te vou aturar nas compras naquele dia em que decides que vais ao Colombo rechear o teu roupeiro de vestimentas de quenga, tira o cavalinho da chuva. Se realmente precisares de alguém te diga que ficas bem com aquela lingerie vermelha da Calzedonia leva a tua mãe para os vestiários. E filma por favor, o YouTube também serve para isso.

Balela #5 – Não tenho nada contra, mas não é natural e é pecado, está na Bíblia!

Pois não, essa afirmação está mais carregada de tolerância que o crânio da Cristina Ferreira de ar comprimido. Se não é natural, temos de tratar de ir à savana e separar aquelas safadas. Todos sabemos que existem os mais variados comportamentos homossexuais no reino Animal, inclusive nos humanos, mesmo antes de inventarem a Bíblia. E se querem basear a vossa capacidade intelectual na Bíblia vamos lá. Sim, um homem não se deve deitar com outro. Mas vocês também não podem comer bacon, nem fazer tatuagens no fundo das costas tipo tramp stamp, nem usar correntes de ouro com as datas de aniversário das vossas madrinhas. Olha as balofas todas do tuning a implorar excomunhão.

Balela #6 – Porquê um arco-íris?

Depois de tanta parvoeira vamos falar a sério. O arco-íris espelha a diversidade e multiplicidade do espectro daquilo que é ser humano e incorpora-se essa mensagem na bandeira para mostrar que a sociedade existe em todas aquelas tonalidades. Ou isso ou porque esperamos que no final do arco-íris estejam a Madonna, a Barbra e a Beyoncé a jogar canasta.

Sashay away. Até breve. Wink wink.

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