És um Homem, uma Mulher ou um corpo?

Citando Judith Butler, os papeis masculino e feminino não são biologicamente fixos, mas sim socialmente construídos. O Ser Humano nasce com um sexo e não com um género, ou seja, existe biologicamente falando uma genitália externa e interna nos sujeitos, que permite, à priori, e de forma errada, defini­-los como sendo do género masculino ou feminino. É errado diferenciar sexualmente e individualmente desta forma o sujeito!

Urge a necessidade de conceptualizar e objectificar as várias circunstâncias, condicionantes e características da natureza humana, uma vez que nos encontramos a vivenciar presentemente a Era Cientifica e Tecnológica, e também devido ao facto de o Ser Humano ser cada vez mais um ser individualista! Assim sendo, é necessário distinguir o sexo do género, que para muitos são sinónimos, mas na verdade são diferentes, distintos.

O Ser Humano é resultado da sua história pessoal, cultural, social e corporal, fazendo uma analogia o sujeito não é mais do que um livro, que consequentemente resulta num best­seller (o Eu!). É com a nossa história que elaboramos a nossa própria personalidade, as nossas características (físicas, mentais ou psicológicas) individuais e pessoais, distinguindo­-nos dos demais. A cada página lida torna­-se cada vez mais viciante e apaixonante a descoberta do outro, do eu, do nós!

Contudo, existe a dimensão sexual do indivíduo, que encontra­-se pré­-determinada com a existência da genitália externa e interna. Mas, o facto de eu nascer com a genitália feminina não me define como sendo Mulher, ou seja, não define o meu género. Quero com isto dizer que sexo e género são distintos!

Existem indivíduos que se auto-intitulam por Homens, ou por Mulheres, mas também existem aqueles, que se intitulam de Transsexuais. Não, não são pessoas que apresentam algum tipo de transtorno, ou que querem dar nas vistas, e subitamente decidem mudar de sexo… São sim a prova viva, de que o género é uma construção social, histórica e individual, sendo não pré­-determinado!

Tal como a Organização Mundial de Saúde define, transexual é um termo genérico para as pessoas cuja identidade de género e expressão não se encontram em conformidade com as normas e expectativas tradicionalmente associados ao sexo que lhes foi atribuído à nascença. São apenas termos, conceitos, definições, e nós estamos a falar do Ser humano, de um indivíduo, que deve e tem de ser transcendente a tais!

Concluo ao citar de novo Judith Butler, o género é culturalmente formado, mas também é um domínio da liberdade ou da agência, e isto é o mais importante na resistência à violência imposta pelas normais ideias de género, especialmente contra aqueles que são de género diferente, que não se conformam com a apresentação do seu género.

Portanto, o Eu é Meu e não Teu, ou Deles, sou apenas um corpo caracterizado pelo meu Eu! Só com a aceitação do outro e da diferença, é que se torna possível abraçar a diversidade social e abrir caminho à evolução do indivíduo!

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