BEAST 2026 destaca cinema e arte queer ucraniana em programação de solidariedade LGBTQIA+

BEAST 2026 destaca cinema e arte queer ucraniana em programação de solidariedade LGBTQIA+

The Estate (2025), Eugene Slupchuk
The Estate (2025), Eugene Slupchuk

O festival BEAST regressa ao Porto com uma programação queer que cruza cinema, performance e solidariedade internacional. Em parceria com o festival ucraniano Sunny Bunny e com o coletivo MOFO, o evento apresenta duas iniciativas que colocam no centro as experiências, resistências e expressões artísticas da comunidade LGBTQIA+ ucraniana, num momento em que a guerra continua a marcar profundamente a vida no país.

A secção How to Care for Cosmos volta a integrar a programação do BEAST – Festival Internacional de Cinema da Europa Central e de Leste, consolidando um espaço dedicado ao cinema queer contemporâneo e às suas múltiplas formas de expressão. A edição de 2026 reforça a colaboração com o Sunny Bunny, o primeiro festival de cinema queer de Kyiv, através de uma sessão especial de curtas-metragens que dará a conhecer novas vozes do cinema LGBTQIA+ ucraniano.

A sessão terá lugar no dia 7 de junho, às 19h15, no Batalha Centro de Cinema. O programa reúne cinco obras recentes que abordam temas como o amor em tempo de guerra, a resistência, a memória e a afirmação queer, refletindo a diversidade de experiências vividas num contexto marcado pela invasão russa da Ucrânia.

BEAST 2026 destaca cinema e arte queer ucraniana em programação de solidariedade LGBTQIA+

Black Shawl, de Kamila Boichenko
Black Shawl, de Kamila Boichenko

Serão exibidos os filmes:

  • Mazepa’s Ride, de Mykola Ridnyi
  • The Estate, de Eugene Slupchuk
  • Black Shawl, de Kamila Boichenko
  • Second Spring, de Olexi Chubun
  • Flowers and Beasts, de Victoria Shved

Mais do que uma simples mostra cinematográfica, a iniciativa procura criar um espaço de encontro entre diferentes comunidades, promovendo a partilha de experiências e a descoberta de novas perspetivas sobre a realidade queer na Europa Central e de Leste.

Arte queer como resistência no BEAST

A programação queer do BEAST arranca, contudo, dois dias antes. A 5 de junho, a CRL – Central Elétrica recebe MY DISLOCATED FLESH, uma noite de performance organizada pelo coletivo MOFO, composto por pessoas queer ucranianas residentes no Porto.

O evento reúne artistas que trabalham a partir do corpo para explorar temas como a vulnerabilidade, a dor, a sobrevivência e a resistência. Performance, som e arte multimédia cruzam-se numa proposta que pretende refletir sobre os impactos do deslocamento, da guerra e da marginalização, sem perder de vista a capacidade de criação e transformação.

Participam nesta noite artística Boji Ro, Sasha Malyuk, Dïmmï, Mariia Lemperk, 2rana 3crana, calgon e Marie Dior.

A iniciativa assume também uma dimensão solidária. A entrada funciona mediante donativo, com uma contribuição mínima sugerida de cinco euros, sendo a totalidade das receitas destinada à organização ucraniana Insight NGO.

Fundada para apoiar a comunidade LGBTQIA+ na Ucrânia, a organização disponibiliza atualmente serviços de abrigo, apoio jurídico, acompanhamento psicológico e outros recursos essenciais a pessoas particularmente vulneráveis num contexto de guerra.

Ao juntar cinema, performance e ativismo, o BEAST reforça assim uma das dimensões que tem marcado a sua programação ao longo dos anos: a utilização da arte como espaço de encontro, resistência e solidariedade entre comunidades que enfrentam desafios comuns, independentemente das fronteiras nacionais.

Confere toda a programação no site do festival.


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