
O WorldPride 2026 arrancou este sábado, 25 de julho, em Amesterdão, com uma cerimónia marcada por um forte simbolismo político. A abertura oficial contou com a presença da rainha Máxima dos Países Baixos, mas as intervenções das várias figuras presentes deixaram claro que, num momento de crescente hostilidade contra as pessoas LGBTI+, o evento pretende ser muito mais do que uma celebração.
Até 8 de agosto, Amesterdão recebe cerca de 300 iniciativas, entre marchas, debates, eventos culturais e atividades comunitárias, reunindo participantes de todo o mundo numa edição que procura afirmar o Pride como um espaço simultaneamente de celebração, resistência e defesa dos direitos humanos.
A presidente da Câmara de Amesterdão, Femke Halsema, sintetizou essa ideia durante a cerimónia de abertura.
“Diz-se muitas vezes que temos de escolher entre protesto e celebração. Eu não acredito nisso. Uma celebração sem alma não é nada. Um protesto sem alegria é muito menos poderoso.”
Perante a rainha Máxima e representantes da comunidade LGBTI+, Halsema recordou que, apesar dos avanços conquistados nas últimas décadas, os direitos continuam ameaçados em muitas partes do mundo.
A autarca referiu países como o Uganda, onde a homossexualidade continua criminalizada, e alertou para os ataques dirigidos às pessoas trans, defendendo que é necessário proteger as conquistas alcançadas.
“Olhemos também para nós próprias, porque sim, a tolerância está a diminuir. A comunidade queer está mais visível, mais alegre, mais presente em todo o lado. Mas há também uma reação.”
Um Pride num contexto de crescente tensão
As palavras da presidente da Câmara ganharam particular relevância depois dos acontecimentos que marcaram o fim de semana.
No dia da abertura do WorldPride, um ataque durante o Pride de Berlim provocou um morto e 17 pessoas feridas, num episódio que voltou a levantar preocupações sobre a segurança dos eventos LGBTI+ e o crescimento da violência motivada pelo ódio.
Ao mesmo tempo, vários países europeus continuam a assistir ao aumento do discurso anti-LGBTI+, à limitação de direitos das pessoas trans e ao fortalecimento de movimentos políticos hostis à diversidade e à igualdade.
Neste contexto, o WorldPride assume um significado que ultrapassa largamente o caráter festivo.
“Não podemos esquecer”

Entre milhares de participantes, muitas pessoas sublinharam precisamente essa dimensão internacional do evento. Patrick Simones, conhecido como a drag queen “Miss Spunt“, afirmou que a situação das pessoas LGBTI+ também se deteriorou nos Países Baixos.
“As pessoas estão a ser agredidas, insultadas e alvo de violência.”
Já Vicente Rios Rios, participante mexicano presente na marcha de abertura, recordou que a realidade continua a ser muito diferente consoante o país.
“Não podemos esquecer que ainda existem lugares onde não se pode ser quem se é.”
Celebração e ativismo lado a lado
Com cartazes onde se lia “Queer Rights = Human Rights” (“Direitos Queer = Direitos Humanos”) e “Stronger Together” (“Mais fortes juntas”), a cerimónia de abertura procurou reforçar uma mensagem que atravessa toda a programação do WorldPride: a de que o Orgulho continua a ser uma forma de reivindicação política.
A presença da rainha Máxima conferiu um importante reconhecimento institucional ao evento e, num momento em que os direitos LGBTI+ enfrentam novos desafios, Amesterdão pretende afirmar o WorldPride 2026 como um espaço de visibilidade, solidariedade internacional e mobilização coletiva, lembrando que celebrar o Orgulho continua a ser, também, um ato de resistência.
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