Michael Johnston: da representação queer em “Teen Wolf” ao fenómeno de terror “Obsession – A Felicidade é Relativa”

Michael Johnston: da representação queer em "Teen Wolf" ao fenómeno de terror "Obsession – A Felicidade é Relativa"

O filme de terror “Obsession – A Felicidade é Relativa” tornou-se uma das maiores surpresas cinematográficas de 2026. Com críticas amplamente positivas, uma forte receção junto do público e um orçamento modesto estimado em cerca de 750 mil dólares, a longa-metragem realizada por Curry Barker está a conquistar o público em todo o mundo. Entre as razões apontadas para este sucesso está a interpretação de Michael Johnston, ator assumidamente gay que vê aqui o primeiro grande papel principal da sua carreira.

Ao lado da igualmente brilhante Inde Navarrette, Johnston dá vida a Baron “Bear” Bailey, um jovem tímido que trabalha numa loja de música e nutre uma paixão secreta pela amiga de infância Nikki Freeman. Quando um misterioso objeto lhe concede um desejo, Bear pede que Nikki se apaixone por si. O desejo concretiza-se, mas rapidamente se transforma num pesadelo sobrenatural marcado pela obsessão, violência e consequências inesperadas.

O filme tem sido elogiado pela forma como utiliza o terror para explorar temas como a solidão masculina, a idealização romântica e a dificuldade em lidar com a rejeição. O próprio Johnston descreveu Bear como uma personagem profundamente solitária, incapaz de enfrentar os seus problemas e convencida de que o amor poderá resolver tudo aquilo que está errado na sua vida. Em entrevista recente, o ator afirmou que procurou interpretar a personagem sem a julgar, concentrando-se antes nos seus desejos e fragilidades humanas.

De “Teen Wolf” à afirmação pessoal

Embora muitas pessoas estejam agora a descobrir Michael Johnston através de “Obsession”, a sua ligação à representação LGBTQIA+ começou há vários anos. Entre 2015 e 2017 interpretou Corey Bryant na série televisiva “Teen Wolf“, uma das poucas personagens assumidamente gays da produção.

Curiosamente, Johnston revelou recentemente que interpretar personagens queer aconteceu antes de se assumir publicamente. Em entrevista, recordou que recebeu milhares de mensagens de fãs LGBTQIA+ que lhe agradeceram pelo impacto positivo da personagem.

Não fazia ideia do que essa representação significaria para tantas pessoas“, afirmou o ator. “Recebi milhares de mensagens e cartas de fãs a agradecer e a dizer quanto a minha personagem em Teen Wolf os ajudou.”

O ator explicou também que crescer na Carolina do Norte, uma região frequentemente associada ao conservadorismo religioso do chamado “Bible Belt”, tornou inicialmente desafiante interpretar personagens queer. Ainda assim, reconhece hoje que essas experiências tiveram um papel importante no seu próprio percurso de autodescoberta.

Johnston afirmou que o papel em “Teen Wolf” lhe deu confiança e o ajudou a sentir-se melhor consigo próprio. “Estou muito orgulhoso de quem sou“, afirmou. “Interpretar estas personagens ajudou-me absolutamente a compreender melhor quem sou.”

Assumir-se publicamente

Michael Johnston assumiu publicamente a sua orientação sexual em 2023 através das redes sociais, numa altura em que mantinha uma relação com o argumentista e realizador Anthony Sellitti. Desde então, tem falado de forma mais aberta sobre identidade, representação e a importância de personagens LGBTQIA+ autênticas no audiovisual.

Apesar disso, o ator sublinha que a sexualidade nunca é o principal elemento que procura numa personagem. “O amor é universal“, afirmou. “A sexualidade de uma personagem não é a primeira coisa para que olho. O mais importante é conseguir ligar-me à história.”

Uma nova estrela do terror

O sucesso de “Obsession – A Felicidade é Relativa” parece marcar um novo capítulo na carreira de Johnston. O filme apresenta atualmente avaliações muito positivas junto da crítica e do público, sendo apontado por várias publicações especializadas como um dos fenómenos cinematográficos do ano.

A receção ao desempenho do ator tem sido particularmente forte. Para muitas pessoas, Bear surge simultaneamente como vítima e responsável pela tragédia que se desenrola ao longo do filme, uma ambiguidade moral que tem alimentado debates. O próprio Johnston considera que essa complexidade é um dos aspetos mais interessantes da personagem.

Com novos projetos já anunciados, incluindo a participação na série animada “X-Men ’97“, onde dará voz a Nathan Summers, Michael Johnston parece estar a consolidar-se como um dos nomes emergentes de Hollywood. Para muitas pessoas LGBTQIA+, contudo, o seu percurso tem um significado adicional: o de alguém que encontrou na representação queer uma forma de ajudar outras pessoas e, ao mesmo tempo, de se compreender melhor a si próprio.


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