É caso para dizer, que Homossexualidade Eletrizante!

De Hong Kong chegam as boas novas para os homofóbicos, a descoberta da cura gay! Consiste em choques eléctricos, mas também em orar regularmente, abster-se totalmente de relações sexuais com indivíduos do mesmo género, e aquando do surgimento de desejos homossexuais (não sei bem que tipo de desejos são estes….) um banhinho bem frio, para ver se acordam!

E atenção, esta cura é vivamente recomendada pelas autoridades de Hong Kong a jovens vulneráveis! Mas, descansem ainda existem sujeitos com cérebros na sua “caixa craniana”, que reivindicaram, nomeadamente as instituições de caridade.

Só uma pergunta, esta cura também poderá ser implementada aos heterossexuais de modo a “converté-los” ao homossexualismo? Penso, quesejauma questão bastante pertinente!

Falando agora de forma racional e fora de qualquer brincadeira, ou seja, não subscrevendo de todo esta prática macabra, como é possível existir ainda este pensamento e esta forma de lidar com o variadíssimo espectro da sexualidade humana?

Privar um sujeito de se expressar e de se auto descobrir, tanto sexualmente como intimamente, é simplesmente monstruoso, horrendo! As represálias e consequências no desenvolvimento do indivíduo são imensas, tal como os vários activistas em 2010 apresentaram ao Conselho Legislativo, que mesmo assim recusou proibir tal terapia.

Uma das consequências de maior relevo é o dano causado na auto-imagem e no auto-conceito dos indivíduos, sendo causados danos permanentes no seu Self! Este que é definido como um conjunto de características físicas e psicológicas, que promovem o auto-conhecimento dos indivíduos nas diferentes dimensões sociais, como por exemplo, a idade e o sexo.

A construção do Self depende, não só das capacidades cognitivas do indivíduo, como também das experiências sociais com significado (levar com choques eléctricos, é com certeza algo com bastante significado para qualquer ser humano, inesquecível mesmo!). Surgindo, assim, uma baixa auto-estima, que promove a depressão, a ansiedade, e o desajustamento escolar, bem como social.

Tal como, Yeo Wai-wai, porta-voz da Women’s Coalition de Hong Kong, afirmou: “[It] will damage their self-image. They will feel like a loser and may have suicidal thoughts.” A verdade é que Hong Kong não se encontra preparado o suficiente para interagir, e aceitar, as minorias sexuais, nomeadamente com a comunidade LGBTQ.

Urge assim a necessidade de os alertar, que a Organização Mundial de Saúde considera orientação sexual como não sendo uma desordem, que esta terapia ainda não demonstrou quaisquer evidências de conseguir converter a sexualidade do sujeito, e que em 2010 a Associação Médica Britânica condenou a “cura gay” como prejudicial ao indivíduo!

Tanto pensamento pré-histórico, ignorante e preconceituoso junto, gera em mim uma revolta enorme, porque falamos de seres humanos e não de objectos inanimados! Caramba, falamos de indivíduos com personalidade, com identidade, com sentimentos, tal como António Damásio afirma: “We are not thinking machines that feel; rather, we are feeling machines that think”.

Com a implementação desta terapia podemos afirmar, em tom sarcástico, que se deu um pequeno passo idiótico, mas um grande passo homofóbico! Vamos fazer um acordo, pode ser? Vamos juntos usufruir da nossa condição humana e pensar conjuntamente numa cura para o cancro, e muitas outras doenças sem cura até então! Relativamente à sexualidade humana, que não é nem deve ser equiparável a doenças fisiológicas, biológicas, neurológicas, oncológicas, e tantas outras,vamos deixar florescer, vamos deixar abranger e alargar cada vez mais o seu espectro! O mundo fica tão mais colorido com a diversidade, acreditem em mim! Devemos promover a igualdade, a harmonia, a liberdade, e um lugar de desenvolvimento para os mais jovens que subscreva o abrangente espectro da sexualidade humana! Termino citando Harvey Milk, “All young people, regardless of sexual orientation or identity, deserve a safe and supportive environment in which to achieve their full potential .”

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