Prémios Arco-Íris 2016: Memórias De Uma Noite Brilhante

Durante as últimas semanas vi ser desenvolvida e, por fim, concretizada no passado dia 14 a décima quarta edição dos Prémios Arco-Íris da ILGA Portugal. Foram reuniões, telefonemas, mensagens e emails que, dia após dia, trocámos entre largas dezenas de pessoas. O objectivo era chegar à noite de Sábado com todas as peças de um gigantesco puzzle montadas e distinguir, orgulhosamente, nomes que se tornaram sinónimos de liberdade e igualdade no ano de 2016.

E, sim – pois claro que sim – houve voltas e reviravoltas, houve frustrações e pânicos de última hora, no entanto, na noite do dia 14 de Janeiro, o Mercado da Ribeira viu acontecer os maiores Prémios Arco-Íris de sempre, com o público a juntar-se a premiad@s em uníssonas salva de palmas e, depois, na festa onde se dançou até de madrugada.

Tudo isto foi possível porque aquilo que ali nos uniu era, definitivamente, mais forte do que todas as adversidades que surgiram pelo caminho  – e algumas aconteceram na própria cerimónia: nervos a quebrarem vozes, microfones desligados, ataques de pânico em pleno palco que, espero (glup), não tenham sido demasiadamente notados e até houve um vídeo lançado antes de tempo… duas vezes.

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Mas – e é aqui que entra um enorme e derradeiro mas – todos estes pequenos percalços se eclipsaram perante a energia contagiante de premiad@s, voluntári@s, staff e equipa de produção que tornou óbvio o orgulho que tinham tod@s em ali estar; perante um coro que, na sua diferença, cantaram iguais; uma apresentadora que, tod@s de olhos postos nela, pegou no evento e o conduziu como se sempre assim tivesse sido (e até teve a desajuda de um cão preso numa casa-de-banho); perante os aplausos e assobios que sempre surgiram de forma unânime  quando alguém subia ao palco para receber o  seu prémio; perante uma mulher que no palco cantou uma ode à mulher acompanhada por tod@s; perante um grupo de pessoas que emancipam – algumas há largos anos – a igualdade em Portugal; perante – e por que não? – um palco inundado pela mais dançável pop que serviu de pré-aquecimento ao movimento dos corpos que as batidas e os ritmos fizeram dançar o resto da noite na festa que se seguiu.

Perante todos estes exemplos, os Prémios Arco-Íris foram assim palco de nova e brilhante comunhão dos ideais que ali nos juntaram: que não somos menos, que não somos razão de vergonha, piada ou piadola, nem cederemos à violência e à discriminação que ainda, dia após dia, nos impõem. Porque somos arcos-íris e isso é – e sempre o será  – uma questão de Orgulho.

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