set de 7 #8

Hoje começamos por falar de um grande regresso: Beth Ditto. Vocalista do recentemente dissolvido grupo The Gossip, que no período 2001-2012 nos presentou com  cinco álbuns que demonstraram uma evolução de um lado mais punk-rock para o pop e que deixa para a história músicas fabulosas como “Standing in the way of control”, “Coal to diamonds”, “Heavy cross” ou “Move in the right direction”, Beth Ditto regressa agora com um novo single a solo, “Fire”, que é a amostra daquele que será o seu primeiro álbum a solo, “Fake sugar”, a ser lançado em junho próximo. Descrito como uma fusão entre as tendências punk de Beth Ditto e um lado mais pop, “Fire” parece situar-se, de facto, a meio caminho entre os álbuns iniciais dos The Gossip e aqueles com que vieram a terminar a sua carreira, com uma sonoridade que, de acordo com a própria Beth, procura refletir uma parte da cultura sulista dos Estados Unidos, onde cresceu. Uma amostra viciante daquilo que espero venha a ser um regresso em grande de uma artista que se mantém, até ao momento, como uma das melhores atuações ao vivo a que já assisti até hoje.

Kiesza também está de volta, depois de, em 2014, ter saltado para a ribalta mundial com o seu single “Hideaway” (e o seu vídeo maravilhoso). Do seu currículo faz parte formação como bailarina, para além da experiência militar adquirida durante uns anos passados na Marinha onde desenvolveu as suas habilidades como atiradora, e uma participação no concurso “Miss Universo Canadá”, que complementa a diversidade de experiências que a caracterizam. Depois do lançamento do seu álbum de estreia, “Sound of a woman”, em 2014, um álbum fantástico que vale a pena (re)descobrir, Kiesza regressa agora com “Dearly beloved”, uma amostra do seu trabalho mais recente que, de acordo com a própria, se inspira em (e ao mesmo tempo procura homenagear) uma amiga próxima que terá falecido recentemente. Uma música mais orgânica e menos eletrónica que os seus singles anteriores, mas que mantém um delicioso tom pop.

BETSY começou a sua carreira no mundo da moda, tendo inclusive trabalhado como designer para a marca Balenciaga antes de concluir que o apelo da música era mais forte. Com este background não é de surpreender que se trate de uma artista que presta bastante atenção à parte visual que acompanha a sua música, pelo que vale a pena descobrir os seus vídeos e o seu próprio estilo pessoal. De acordo com a mesma, em ambas as indústrias (moda e música) existe um certo apelo de fama e glamour, e ambas já abraçaram fortemente cabelos volumosos e lantejoulas, o que comprova que existirão certamente pontos de contacto entre ambas que terão facilitado a sua transição entre os dois mundos.

Com Lowell voltamos ao Canadá, que após abandonar os estudos musicais na universidade de Toronto trabalhou durante algum tempo como stripper com o nome artístico de “Sara Victoria”. Foi durante este período que começou a experimentar musicalmente e a criar algumas demos que acabaram por chamar a atenção de um produtor e que, eventualmente lhe permitiram lançar o seu primeiro álbum, “We loved her dearly”, em 2014, após o lançamento do EP “I killed Sara V” nesse mesmo ano. Mais recentemente, em 2016, Lowell lançou um novo EP, “Lowell – Part 1: Paris YK”, adicionalmente a um single com a participação de Icona Pop, em que mantém algum do som do seu álbum de estreia, apesar de serem notórias algumas influências mais eletrónicas. É uma amostra desse álbum de estreia que trago hoje, que tem uma atmosfera de fantasia e despreocupação, capturada no vídeo que a acompanha, que de certa forma faz ter vontade de estar também no meio dessa realidade.

Da Austrália, um país de onde tem surgido muita música interessante recentemente, chega Hayden James, que é um bom exemplo disso, apesar de não ter ainda muitos singles lançados. “Something about you”, que vos trago hoje, foi lançado em 2014, ao qual se seguiu apenas o lançamento de “Just a lover”, em 2016, não existindo ainda informação sobre um eventual álbum. Outro exemplo da boa música contemporânea com origens australianas é George Maple, apesar de atualmente baseada em Londres. George Maple é o nome artístico de Jess Higgs, que já trabalhou com Flume, entre outros artistas, e cuja própria música é uma agradável mistura de batidas eletrónicas com uma voz poderosa e quente, no que poderia ser descrito como uma espécie de eletro-soul.

Number one angel”, de março deste ano, é o mais recente lançamento de Charli XCX, uma mixtape completamente eletro-pop que retrata fantasticamente Charli XCX, e onde colaboram outros nomes conhecidos, como por exemplo MØ e Raye, entre outros. Um ótimo seguimento ao seu último álbum, “Sucker”, de 2014, que a lançou para os tops mundiais com o single “Boom Clap” e que a viu optar por uma direção mais mainstream do que o tom indie que transparecia do seu álbum de estreia, “True Romance”, de 2013. Mais indie ou mais mainstream pop, Charlie XCX, nome artístico de Charlotte Emma Aitchison, é uma artista que tem vindo cada vez mais a afirmar-se no panorama musical mundial, tanto em nome próprio como através de colaborações com outros artistas, como Iggy Azalea (em particular no single “Fancy”, que ajudou a lançar a sua carreira a um nível internacional) ou a produzir material para nomes como Sky Ferreira, Rihanna ou Gwen Stefani.

Este é o set de 7 #8.

Os destaques visuais desta semana vão para BETSY, num vídeo onde, julgo, Lana del Rey se sentiria à vontade;  Lowell, onde nos podemos deixar afundar numa atmosfera de liceu fantasiosa e onde Lowell surge com um ar de menina doce com um certo quê de loucura; George Maple, num vídeo de uma interpretação ao vivo com efeitos e iluminação que lhe conferem uma atmosfera mágica; e Kiesza, com “Dearly Beloved”, um vídeo onde, de acordo com a descrição da mesma, procura honrar a memória da sua amiga falecida ao utilizar a guitarra branca que surge no vídeo, que lhe pertencia.

[Kiesza – Dearly Beloved]
I can barely breath in this empty space
I need you to take me before I fade away.

[BETSY – Wanted More]
You know baby that I wanted more
Than you could ever give to me.

[Lowell – The Bells]
When you gonna call me?

[George Maple – Vacant Space]
It’s better with the lights off
It’s better when you slow down
It’s better when I stop thinking about this.

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