set de 7 #15

A playlist desta semana inclui dois pesos-pesados do pop, que retornaram há pouco com as primeiras amostras daquilo que serão os seus próximos álbuns: Katy Perry e Miley Cyrus.

Katy Perry, nome artístico de Katheryn Elizabeth Hudson, cresceu num ambiente religioso em que os seus pais, pastores da igreja pentecostal, procuraram refúgio na religião após uma juventude irrequieta, tendo a sua infância sido marcada pelas dificuldades financeiras da família e pela presença marcante da devoção dos pais que, por exemplo, não permitiam que se comessem os cereais Lucky Charms porque faziam lembrar Lúcifer. Em termos musicais, Katy começou, como seria de esperar, por cantar em ambientes religiosos e iniciou-se como cantora gospel. O seu primeiro álbum, ainda sob o nome de Katy Hudson, não teve sucesso comercial e, após um período de mudança de empresa discográfica e reinvenção da sua persona artística, Katy relançou-se como Katy Perry, com singles intencionalmente controversos para as mentes mais conservadoras como “I kissed a girl”, que ajudaram a catapultá-la para a fama. O seu terceiro álbum, “Teenage dream”, de 2010, entrou para a história por ter sido um dos álbuns a conter o maior número de singles que alcançaram o número 1 dos tops americanos, e o seu quarto álbum, “Prism”, de 2013, tornou-a a primeira artista a ter múltiplos vídeos a ultrapassar mil milhões de visualizações, com as músicas “Roar” e “Dark Horse”. Katy Perry regressa em 2017 com o álbum “Witness”, a ser lançado já no próximo dia 9, e do qual a música de hoje, “Bon appétit”, é o segundo single, que a vê a manter a linha dos álbuns anteriores, apesar de uma produção aparentemente mais direcionada para a pista de dança.

Já praticamente ninguém se lembra que Miley Cyrus foi Hannah Montana. A imagem desta personagem foi essencialmente apagada pelas atitudes e mudança de visual de Miley Cyrus no decurso dos últimos anos, marcadas pela controvérsia e pela provocação, num estilo exacerbado que levaram muitos a questionar a sua própria sanidade e, inclusive, a honestidade das suas atitudes. Foi na sequência do seu quarto álbum, “Bangerz”, de 2013, que incluía “Wrecking ball” e o seu vídeo que, de uma certa forma, se tornou icónico, que Miley demonstrou esta alteração drástica de identidade, fomentando dúvidas relativas à sinceridade da sua evolução, inclusive musical, que deixou de lado influências country em álbuns teen-pop-rock que pareciam a continuação natural do legado musical de Hannah Montana para abraçar influências de hip-hop. Sinceridade ou simples marketing direcionado, a verdade é que Miley Cyrus é neste momento Miley e não Hannah, com a maior liberdade, de atitudes e musical, que daí lhe advém. Foi essa transformação que lhe permitiu o lançamento independente do álbum “Miley Cyrus & Her Dead Petz” em 2015, em que experimentou sonoridades psicadélicas com a colaboração dos Flaming Lips, e que lhe permite voltar agora, em 2017, menos experimentalista mas, ainda assim, não fulgurantemente pop, com “Malibu” a primeira amostra do seu próximo álbum, numa música que parece condensar um pouco de tudo o que Miley foi até à data.

Tove Styrke já tinha passado pelo set de 7, e na altura trouxe-vos uma música retirada do seu álbum “Kiddo”, de 2015, e escrevi, em relação a Tove, que era “um nome a reter para quem gosta de catchy-pop com influências eletrónicas”. Pois bem, venho agora defender a minha afirmação anterior, justificando-a com “Say my name”, o mais recente single de Tove Styrke, que me parece ideal para dar as boas vindas a junho.

Elnur Hüseynov começou a aprender piano aos cinco anos de idade, altura em que ingressou numa escola de música para crianças sobredotadas, no Turkmenistão. Em 1999 mudou-se com a família para o Azerbeijão, onde se formou em medicina dentária e onde, paralelamente, continuou a sua educação musical. Em 2008 defendeu as cores do Azerbeijão na Eurovisão desse ano, como parte de um duo que se separou logo após essa participação e, em 2015, retornou à Eurovisão, desta vez a solo, tendo terminado em 12º lugar, algo que aconteceu após ter ganho a quarta temporada da versão turca do programa “The Voice”, também em 2015. Já este ano surge “Vibration”, com a qual parece haver uma tentativa de penetração no mercado europeu e ir além da carreira já mais estabelecida no Azerbeijão, e que cria alguma expectativa em relação ao que se poderá seguir.

Amandla Stenberg participou em “Hunger Games”, mas infelizmente não saiu vencedora. Ainda assim muita gente se lembrará da pequena Rue, que teve um papel relativamente pequeno mas fundamental na narrativa. Amandla, um nome que significa “poder” ou “força” em zulu tem, além da sua carreira de atriz, experimentado com música e atuado como Honeywater juntamente com o cantor/compositor Zander Hawley, tendo o duo lançado o seu primeiro EP em agosto de 2015. Muito recentemente Amandla lançou o seu single de estreia a solo, um cover de “Let my baby stay”, originalmente de Mac DeMarco, que faz parte da banda sonora do filme “Everything, everything”, no qual participa. Amandla considera-se uma feminista e expressa as suas opiniões políticas abertamente em entrevistas e nas redes sociais, tendo sido nomeada “Feminista do ano” em 2015 pela “Ms. Foundation for Women”, uma organização não-lucrativa dirigida a mulheres e com um compromisso histórico para com a diversidade. Amandla identifica-se como não-binária e pansexual, tendo deixado de se identificar com o termo “bissexual” uma vez que considera que a bissexualidade implica uma dicotomia que não tem em consideração transsexuais. Amandla é tudo isto e é também uma voz cativante a que é impossível ficar indiferente.

Alexandra Ashley Hughes nasceu e cresceu no Canadá onde desenvolveu um interesse em piano clássico, ópera e teatro musical, que evoluíram para uma tentativa de carreira musical na área do indie pop ainda em Toronto, tendo inclusive lançado dois álbuns e dois EPs, que não tiveram no entanto sucesso comercial significativo, nem sequer  uma distribuição alargada. Tendo concluído que o Canadá era um palco um pouco restritivo para a sua ambição, Alexandra mudou-se para Los Angeles onde começou a trabalhar como compositora para outros artistas (tendo, por exemplo, créditos de co-composição em sete músicas do álbum de estreia de Troye Sivan). No entanto, não deixou de parte a sua própria carreira, tendo estudado design de som e produção de forma a conseguir uma sonoridade própria que a deixasse completamente satisfeita. Foi nesta altura que adotou o nome artístico Allie X, tendo lançado o seu primeiro EP, “CollXtion I”, em 2015, que recebeu críticas positivas, e sendo esperado o lançamento do seu primeiro álbum, “CollXtion II”, já neste mês de junho, do qual este “Paper love” é o primeiro single.

Jaymes Young considera que o seu interesse diversificado em música advém do seu ambiente familiar, designadamente os seus pais, que caracteriza como amantes de música, e os seus dois irmãos e irmã. Jaymes aprendeu a tocar guitarra aos 14 anos, altura em que começou também a escrever letras para canções, descrevendo a música como um escape criativo para todas as suas ideias e inspiração, e que lhe permitiram desenvolver um talento que neste momento lhe permite incluir no currículo uma digressão a acompanhar os London Grammar e o lançamento de dois EPs, “Dark Star EP”, em 2013, e “Habits of my heart”, em 2014. O seu álbum de estreia, “Feel something”, será lançado no final de junho e, se refletir a sonoridade presente em “Don’t you know”, um dos primeiros singles a serem conhecidos, será certamente uma boa adição a qualquer colecção musical.

Este é o set de 7 #15.

Os destaques visuais desta semana vão para Tove Styrke, com um vídeo em que a estrela, além de Tove, é a cor, Elnur Hüseynov, com uma interpretação artística cativante e Amandla Stenberg, em que a simplicidade do vídeo reflete a atmosfera sedutora da música. Embora os videoclips dos peso-pesados Katy Perry e Miley Cyrus mereçam ser vistos, julgo que já terão notoriedade suficiente para que sejam encontrados em vários outros meios, pelo que opto por dar aqui o ênfase à seleção menos mainstream.

Enjoy!

[Tove Styrke – Say My Name]

 

[Elnur Hüseynov – Vibration]

 

[Amandla Stenberg – Let My Baby Stay]

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