Diogo Vieira Da Silva: “O Comércio e o Turismo LGBTI têm um efeito de emancipação da comunidade”

Foi anunciada esta semana a criação da Variações – Associação de Comércio e Turismo LGBTI de Portugal por um grupo de mais de duas dezenas de empresas, de Norte a Sul do país, unidas para promover, interna e externamente, Portugal como um polo comercial e destino turístico LGBTI de referência e fomentar o crescimento sustentado dos operadores económicos que se dediquem ao sector.

É neste sentido que falámos com o Diogo Vieira da Silva, Diretor Executivo da Associação que foi buscar o seu nome ao visionário artista e que pretende agora maximizar o nicho de mercado com mais potencial de crescimento a nível global:

Portugal tem visto um crescimento notável do turismo nos últimos anos e apesar disso o turismo LGBTI ainda não é percepcionado como economicamente aliciante, como pretende a Variações mudar essa ideia ou, direi até, preconceito?

No ano em que foi apresentada a estratégia de Turismo para os próximos 10 anos, que tem um foco claro numa estratégia pela qualidade em vez da quantidade, a mesma continua sem nenhuma referencia ao Turismo LGBTI. Tal hiato é responsabilidade nossa, enquanto consumidores, empresários e comunidade LGBTI em geral, que não nos organizamos para transmitir aos poderes políticos a relevância da “intitulada” economia LGBTI. Esse é um dos grandes objectivos da Variações, demonstrar que os seus Associados e toda a economia LGBTI representa uma fatia significativa da riqueza criada, nomeadamente no que diz respeito à área do Turismo. A par disto, o Comércio e o Turismo LGBTI têm um efeito de emancipação da comunidade, pois grande parte das empresas que direcionam os seus serviços e produtos para este target, contratam e criam empregos para a população LGBTI. Neste sentido há um enorme trabalho de mapeamento e de visibilidade deste negócios por forma a quantifica-los economicamente.

Um dos objetivos da Associação é trazer o turismo e comércio LGBTI a zonas rurais, existem especiais obstáculos ou sensibilidades quando se pretende promovê-los, por exemplo, numa aldeia?

A realidade é que fenómenos de pequenas localidades se vocacionarem para o turismo LGBTI não é novidade lá fora. Mas estes fenómenos só se sucedem se as comunidades locais estiverem dispostas a receber estes turistas e criar uma estratégia de comunicação especifica. O que a Variações está disponível a fazer, se houver alguma pequena localidade que tenha essa visão estratégica, é ajudar a criar roteiros e acções concretas que promovam a localidade com os consumidores LGBTI.

O Europride é hoje uma das maiores bandeiras da aliança entre o Orgulho LGBTI – politicamente falando – e o mundo económico. Trazê-lo a Portugal poderá ajudar a derrubar preconceitos que ainda hoje existem quer fora como dentro da população LGBTI portuguesa?

Apesar da falta de estratégia coordenada, a realidade é que, por exemplo, Lisboa é considerada a 15ª melhor cidade do mundo para pessoas LGBT. Imaginem se existisse coordenação de políticas publicas e privadas direcionada para este target?
Se por um lado, torna-se mais difícil discriminar alguém que conhecemos – daí a importância trabalhar continuamente para a visibilidade. Torna-se ainda mais difícil discriminar alguém que nos faz ganhar dinheiro – daí ser muito importante demonstrar e atrair todo o potencial do mercado LGBTI. Um evento EuroPride é um dos melhores exemplos onde a promoção dos Direitos Humanos é sinónimo de crescimento económico sustentado.

Estabelecida em mês de Outubro, o lançamento oficial da Associação decorrerá pelas 11h00 no próximo dia 11 de janeiro de 2018, no Fórum Lisboa (Antigo Cinema Roma).

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