O Machismo Chocante de Catherine Deneuve: 100 mulheres francesas condenam movimento contra assédio sexual

Numa carta enviada ao Le Monde, jornal de referência em França, cem mulheres francesas assinaram um manifesto contra aquilo que consideram ser uma perseguição, denominada “caça às bruxas”, a todos os homens nesta temática do assédio sexual que tem vindo a ser assunto diário nos passados meses. As assinantes, na quais se inclui a lendária atriz Catherine Deneuve, afirmam que violação é um crime mas que os homens devem ser livres de seduzir as mulheres. Declaram também que o movimento #metoo – que em França tem o equivalente #BalanceTonPorc (denuncia o teu “porco”) – está a levar as coisas longe demais e a incitar uma onda de puritanismo desnecessária. A própria Deneuve já se tinha inclusive manifestado contra o movimento, tendo-o chamado de exagerado e inquirindo se a seguir viria um movimento equivalente de “denuncia a tua “puta”). Já um grupo de mais de 30 ativistas francesas, que inclui a escritora Caroline De Haas, se insurgiram contra esta carta que “normaliza a violência sexual”.

Sou um homem. Logo aquilo que vou escrever é uma visão enviesada e assumidamente incompleta do problema. E não vou ser eu a fazer o típico “mansplaing” sobre o que é feminismo. No entanto, consigo reconhecer o que é o exato oposto, o machismo: é isto, nem mais nem menos. E, mais do que ser uma atitude machista e claramente anti-feminista, esta carta é uma legitimação dos agressores, uma incitação a que continuem a sê-lo e um menosprezar criminoso das vítimas de assédio sexual que se atreveram a quebrar o silêncio.

Surreal que uma pessoa com a experiência de vida de Deneuve, numa indústria em que os homens (ainda) detêm todo o poder, não perceba que as “bruxas” que foram caçadas aos longo das décadas/dos séculos foram as próprias mulheres que sofreram assédio e abusos sexuais. Que não perceba que não há puritanismo nenhum em denunciar homens que se aproveitam da sua posição de poder para cometerem impunemente crimes contra mulheres com quem trabalham. Porque não é só violação que é crime, existem outros igualmente puníveis e contemplados por qualquer autoridade judicial num país como a França.

E não Catherine, as mulheres não têm de querer ser assediadas. Não têm de ser obrigadas a perceber onde é que a “sedução” acaba, o assédio e o abuso começam e se transformam em violência. Não são puritanas por isso, estão simplesmente cientes desta problemática secular e estamos hoje num valoroso ponto de viragem que merece ser respeitado. Mas tu, Catherine, és machista. Como tal, parte do problema. E ainda para mais… orgulhosa disso.

Fonte: The Guardian

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