William Vitória, Realizador De MAR: “O Mundo Precisa Destas Histórias”

Desde criança que conheço o mar de Peniche, já mergulhei nele inúmeras vezes e deixei-me envolver pela paisagem de rochas de ângulos impossíveis. É pois com entusiasmo que vejo que iremos ter a possibilidade de ver aquele mar, aquela rocha sob o olhar do realizador William Vitória que no dia 21 traz à Cinemateca Portuguesa em Lisboa a curta-metragem MAR.

O filme segue a história de um casal, o Eduardo (João Santos Silva) e o Xavier (Lourenço Seruya), que visita Portugal e se hospeda em casa de um amigo de infância – precisamente em Peniche – e que guarda um segredo. Este thriller foi apresentado no Canada Shorts Film Festival onde venceu um Award of Distinction. Estivemos a conversa com o realizador e co-autor:

De Portugal para o Canadá e agora, de certa forma, um regresso ao país de origem através de um dos seus maiores ícones: o mar. Houve algum tipo de chamamento saudoso que o trouxe de volta ou como surgiu a ideia para o filme MAR?

Peniche é-me próximo. Vivi 14 anos na Zambujeira no concelho da Lourinhã que fica a 20 minutos de Peniche e desde criança que lá vou. Depois aos 17 anos vivi algumas memórias amorosas por Peniche. É um local lindo que me traz tantas lembranças. As paisagens são fantásticas e as praias. Fiquei contente por saber que também te relacionaste com esse aspeto. Sim, foi sem dúvida a saudade que me inspirou para escrever e gravar MAR em Portugal e como sempre fui fascinado por paisagens, praia e o mar decidi gravar em Peniche. Queria mostrar ao mundo a beleza e o talento de Portugal.

Esta é uma história de mistério, enquadrada por imagens agrestes de mar e rocha. Houve muitos desafios, quer na forma de agarrar a fotografia certa, como no desenvolver da história?

Houve desafios e muito trabalho na realização deste filme, mas os desafios é que fazem valer a pena. Eram bastantes os locais em que gravámos, uma gruta, as falésias, um forte, o mar e por aí fora. Não é como estar fechado numa casa onde não nos temos que preocupar em nos deslocarmos até todos estes locais e levar a equipa toda atrás. Não digo que são locais perigosos, mas tivemos que ter bastante cuidado. No final valeu tudo a pena porque foi uma experiência inesquecível e o mundo poderá ver isso tudo.

Quanto ao desafio no desenvolver da história, esse não foi tão grande. Gosto imenso de escrever e, tal como disse, surgiu da saudade que tenho de Portugal e também pelo meu gosto de contar historias sobre a comunidade LGBTQ. Queria fazer algo abstrato de alguma forma que contasse uma história e mostrasse a beleza de Portugal.

Um enredo que conta com um triangulo entre três homens, começa a haver espaço para estas histórias fora do circuito de festivais LGBTI?

Eu acho que mais do que nunca há espaco para estas histórias, não só no mundo LGBTQ mas no geral. Temos que andar para a frente e não para trás. Escondi muitas coisas que sentia em criança e adolescente e acho que ninguém merece sentir-se discriminado pelo que é. Estamos em 2018 e o mundo precisa destas histórias.

O filme estreou no Canadá e passará também pelo Brasil, como tem sido essa experiência?

O filme estreou em Toronto no Canadá, irá estar em exibição no dia 21 de março às 21h30 na Cinemateca Portuguesa em Lisboa e depois em abril e maio estará noutros locais em Lisboa que ainda não divuguei. Também irá estar no Brasil e ando também a receber interesse em Prides à volta do mundo como Windsor aqui no Canadá e nas Canárias em Espanha. Mas ainda andamos em programação, não há dia certos. É sempre um prazer enorme quando há alguem interessado em ver MAR, fico muito feliz por saber que gostaram do meu trabalho e do trabalho de toda a equipa, todos os elementos colocaram um pouco da sua magia neste trabalho.

 

Poderão seguir o evento da exibição na Cinemateca Portuguesa no dia 21 de março aqui e não perder o trailer de MAR:

 

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Nota: Obrigado ao William pelo contacto 🙂

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