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A Representação de Pessoas LGBT Aumenta em Televisão, mas o que é REPRESENTAÇÃO?

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A GLAAD, Gay & Lesbian Alliance Against Defamation – a maior organização a olhar para a representação LGBT nos media, concluiu que a quantidade de personagens LGBT em televisão aumentou substancialmente no ano corrente (433 total) comparativamente ao ano anterior (329). Destaque dado pela organização para a série, ainda por estrear em Portugal, Pose (elenco na foto) de Ryan Murphy feita por/com/representando pessoas trans, à frente e atrás das câmaras. Mas não é uma tendência que se resume ao cabo ou ao streaming, já que uma em cada onze personagens de séries televisivas de sinal aberto foram também identificadas como LGBT. É um número recorde da representação de histórias de pessoas gay, lésbicas, bissexuais e trans no pequeno ecrã.

Esta tendência é a oposta da verificada em Hollywood e em cinema, onde houve uma queda percentual de 6% no ano de 2017. Estas notícias surgem também durante um intenso debate na indústria sobre a representação de pessoas LGBT. Recentemente Scarlett Johansson foi criticada por estar a preparar um filme em que desempenhava o papel de um homem trans e o comediante heterossexual Jack Whitehall por vir a ser a primeira personagem abertamente gay num filme da Disney. A primeira desistiu depois da pressão social, mas o segundo mantem-se vinculado ao papel.

A exímia Cate Blanchett recentemente afirmou que os actores e atrizes não deveriam resumir-se às suas próprias experiências, defendendo que a empatia deve surgir de e por histórias diferentes das suas. Concordo totalmente. A arte da representação requer exatamente essa capacidade de nos deixarmos transportar para outras vivências, muitas vezes interpretadas por atores e atrizes que não se identificavam inicialmente com as personagens que estavam a desempenhar e encontraram nelas a humanidade para criar uma ligação e transmiti-la ao público. É mesmo isso que é representar.

Mas não estamos a falar dessa representação aqui. De todo. Estamos a falar de uma indústria altamente homofóbica e transfóbica, que obriga a manutenção de estrelas de cinema dentro do armário para cultivar junto do público a ideia de heteronormatividade e isenção de qualquer desvio à mesma. Atores e atrizes trans são as maiores vítimas desta visão normativa e patriarcal das histórias que se podem contar, sendo quase sempre exclusivamente chamados e chamadas para desempenhar personagens trans. Personagens essas que são extremamente raras e muitas vezes dadas a atores e atrizes cis. A visão de Cate Blanchett, que partilho, infelizmente não é de todo realista na indústria em que trabalha. Quando os executivos dos grandes estúdios permitirem a pessoas trans desempenhar pessoas cis de forma sistemática e não tendenciosa ou pessoas gay desempenhar pessoas heterossexuais sem que isso seja uma notícia… talvez essa visão seja alcançável. De momento, e tendo em conta a ainda dramática falta de representação LGBT em cinema, é preferível deixar os oprimidos contarem as suas próprias histórias e empoderarem outros a fazer o mesmo. E começarem a tentar contar todas as outras histórias, sem preconceitos.

 

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