O Novo (Velho) Orgulho de Kitty Pryde

Há quarenta anos, Chris Claremont, escritor lendário da Marvel Comics, estava a criar histórias que mais tarde viriam a ser consideradas como parte da Idade de Ouro da editora. A sua run nos Uncanny X-Men foi a responsável pela imortalização de personagens como Psylocke, Rogue, Emma Frost, Mystique e Phoenix, dando a Claremont a fama de criar personagens femininas fortes e astutas. Os X-Men, enquanto mutantes odiados pelo Mundo que prometeram salvar, sempre tiveram uma codificação desta luta enquanto representação metafórica da perseguição de pessoas LGBTI. Nos anos 1980 isto atingiu o seu opus, com milhares de jovens LGBTI a reverem-se nas histórias destas pessoas que, chegando à puberdade, ganhavam os poderes extraordinários que os iam manter à margem da sociedade normativa, que os discriminava fortemente, com raiva e medo desmedidos.

Foi nesta altura que surgiu nos X-Men Katharine (Kitty) Pryde, a mais jovem de todos os seus colegas, levada à escola de pessoas sobredotadas de Charles Xavier pelos pais que a amavam incondicionalmente, mas não viam forma de conseguir que a jovem sobrevivesse, com os seus poderes de intangibilidade ainda descontrolados, numa sociedade intransigente. Kitty Pryde, depois de um início difícil encontrou a sua posição na equipa e um lugar fixo no coração dos fãs, nomeadamente os LGBTI que quase sempre a nomeiam na sua lista de pessoas favoritas. No decorrer da sua história Kitty teve vários romances falhados, incluindo com Colossus e também com Star-Lord dos Guadians of the Galaxy. Mas existiam sempre segundas interpretações a ligações fortes entre Pryde e Courtney, e também a anciã Destiny, a amaldiçoada Magik ou a deslocada Rachel Summers, parte de Excalibur, equipa que formou no Reino Unido.

O beijo de Kitty Pryde em Marauders (2020)

Kitty Pryde sempre usou o seu nome na lapela, ao contrário dos seus colegas que mantinham as suas verdadeiras identidades escondidas. E, apesar de ter experimentado o codinome Shadowcat, sempre foi conhecida pelo seu nome. Pryde. Não é portanto uma surpresa que passados 40 anos de existência esse “Orgulho” codificado seja finalmente desvendado com Kitty a assumir a sua bissexualidade nas páginas de Marauders, revista que surgiu da reinvenção dos mutantes em Dawn of X. Nelas Kitty Pryde troca um beijo com uma personagem terciária mas que confirma a sua sexualidade depois de tantas décadas de dúvidas e relacionamentos turbulentos. Não é a primeira vez que Marvel afirma uma identidade de uma personagem já existente no canon dos X-Men, com o Iceman de Bobby Drake também a sair do armário recentemente quando confrontado com o seu “eu” passado.

Existe uma certa vindicação merecida por parte dos fãs nesta afirmação de orgulho de Kitty Pryde, uma mulher que ao longo das últimas décadas se tornou uma mentora e ícone da luta dos mutantes, tendo tomado a posição de reitora da escola do Professor Xavier pouco depois da morte de Wolverine. E não deixa de ser irónico que nos filmes da Fox Studios a nossa Kitty Pryde tenha sido interpretada pela atriz Ellen Page, também um dos grandes símbolos da atual luta Queer. Seria mais que apropriado que a Marvel Studios, agora estando novamente com a detenção dos direitos dos X-Men, fossem chamar Page para se colocar novamente no papel de Pryde no reboot inevitável do franchise dos mutantes.

Ellen Page enquanto Kitty Pryde em Days of Future Past

Isto porque os filmes da Marvel Comics continuam sem ter a representação necessária de pessoas LGBTI e precisam de urgentemente acompanhar a revolução já há muito iniciada nos comics. Por estas razões e tantas outras esta notícia não podia ser mais relevante. Porque Kitty Pryde se está a mostrar ao Mundo pela primeira vez na sua totalidade e com a sua identidade sexual integrada na pessoa que sempre foi, sempre conhecemos e sempre amámos. Bem-vinda a casa Kitty.

Fonte: PinkNews


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