Ucrânia: Rússia tem lista de “ativistas pelos direitos gay” para “serem mortas ou enviadas para campos” após invasão

Orgulho de Kiev em 2021.

As informações foram reveladas numa carta enviada em 20 de fevereiro a Michelle Bachelet, Alta Comissária das Nações Unidas (ONU) para os Direitos Humanos. Bathsheba Nell Crocker, Representante dos Estados Unidos no Escritório Europeu das Nações Unidas, escreveu que os EUA têm “informações credíveis que indicam que as forças russas estão a criar uma lista de alvos ucranianos a serem mortos ou enviados para campos em caso de ocupação militar, entre eles jornalistas, ativistas e ativistas pelos direitos gay”.

Também temos informações confiáveis de que as forças russas provavelmente usarão medidas letais para dispersar protestos pacíficos ou combater exercícios pacíficos de resistência de populações civis”, continuou sua carta.

Ela acrescentou que, numa situação de invasão, os alvos incluiriam aqueles “que se opõem às ações russas”, bem como “populações vulneráveis, como minorias religiosas e étnicas e pessoas LGBTQI+”.

Apesar da carta ter sido tornada pública apenas a 21 de fevereiro, rumores da existência da lista foram relatados pela primeira vez já na semana passada.

A Rússia classificou as alegações de “falsas” e negou inflexivelmente ter uma lista desse tipo. Dmitry Peskov, porta-voz do Kremlin, disse: “Esta é uma falsidade absoluta. Isso é mentira. Eu sei que isso é totalmente inventado.

A Rússia invadiu a Ucrânia na manhã de hoje.

[Uma invasão] significaria uma ameaça direta para mim e para a pessoa que amo“, disse Iulia, uma estudante de direito de 18 anos. “Na Rússia, as pessoas LGBTIQ são perseguidas“, disse. “[A Rússia] não nos permitirá existir pacificamente e lutar pelos nossos direitos, tal como somos capazes de o fazer agora.

A Rússia proibiu na sua Constituição o casamento entre pessoas do mesmo sexo em 2021, bloqueando qualquer avanço legislativo nesse sentido e aprovou uma lei contra a chamada “propaganda gay” em 2013.

A Ucrânia é um país europeu. Temos uma história de 10 anos de Marchas do Orgulho e na Rússia a situação é a oposta“, disse Edward Reese, da Kiev Pride. “Temos caminhos totalmente diferentes. Vemos as mudanças nos pensamentos das pessoas sobre direitos humanos, LGBTQ, feminismo e assim por diante. Definitivamente, não queremos nada relacionado [às políticas] da Rússia.

Iulia disse que, embora a Ucrânia ainda tenha um longo caminho a percorrer, foram feitos progressos reais em termos da aceitação das pessoas LGBTQ no país. A Ucrânia obteve apenas a 39ª posição no relatório anual da ILGA Europe referente a 2021. A Rússia o 46ª entre os 49 países analisados.


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11 responses to “Ucrânia: Rússia tem lista de “ativistas pelos direitos gay” para “serem mortas ou enviadas para campos” após invasão”

  1. A Rússia junto com os Estados Unidos, sempre disputaram a liderança mundial que o diga a “paternidade” de quem efetivamente chegou a lua, primeiro! Depois da Segunda Guerra Mundial, estiveram juntos, por um tempo, governando a Alemanha! Se os Estados Unidos se preocupam na valorização mundial do US$, a Rússia busca ser Indispensável a exemplo da, pasmem, dependência de combustível como o gás, pela Alemanha em relação a Rússia! No mais em cenário de Guerra, o “protocolo” é a proteção de crianças e mulheres, a exemplo da saída desse segmento populacional da Ucrânia para a Rússia, antes da deflagração da Guerra!

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  2. […] Desde a invasão de Vladimir Putin, a população LGBTI ucraniana tem temido pelo seu futuro. […]

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  3. […] inevitável: a invasão russa à Ucrânia. Discutimos o que a guerra significa para todas as pessoas LGBTI ucranianas especificamente, do ativismo LGBTI belicista e ainda da masculinidade dos líderes russo e […]

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  4. […] de crimes de guerra por parte do exército russo. Mas, no que toca à população LGBTI ucraniana, não bastava esta estar na mira de Putin, novos desafios se levantam para as pessoas trans que tentam fugir do […]

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  5. […] não consegue dormir desde que a invasão da Ucrânia por parte da Rússia começou, já que o som dos bombardeamentos nunca está longe. Ainda esta semana, um prédio no seu distrito […]

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  6. […] Com apenas 21 anos, Elya estudava direito enquanto desenvolvia o seu ativismo num país que se viu invadido pela Rússia nas últimas semanas. Apesar de negado – tal como a própria invasão até esta acontecer a 24 de fevereiro – há informações de que a Rússia tem lista de “ativistas pelos direitos gay” para “serem mor…. […]

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  7. […] de crimes de guerra por parte do exército russo. Mas, no que toca à população LGBTI ucraniana, não bastava esta estar na mira de Putin, novos desafios se levantam para as pessoas trans que tentam fugir do […]

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  8. […] ano, com a guerra na Europa como pano de fundo, o tema central do Festival Política é a “Desinformação” enquanto ameaça à […]

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  9. […] momento em 12º lugar entre as apostas à vitória da Eurovisão, com a Ucrânia em claro destaque, após a invasão do país por parte da Rússia (que foi excluída do evento), seguida da Itália a e do Reino […]

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  10. […] as trágicas circunstâncias dos últimos meses vividas na Ucrânia após a invasão russa – onde a população LGBTI se encontra especialmente fragilizada – o voto de simpatia para a Ucrânia parece ser o desenlace mais óbvio da final de sábado. […]

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  11. […] num contexto em que a perceção social sobre os direitos LGBTQ+ na Ucrânia tem vindo a mudar, sobretudo desde a invasão em larga escala da Rússia em 2022. Sondagens recentes mostram um aumento no apoio público ao reconhecimento de direitos […]

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