Turquia avança com lei anti-LGBTI em clima de repressão política

Turquia avança com lei anti-LGBTI em clima de repressão política

A democracia na Turquia enfrenta um novo golpe, desta vez com uma proposta de lei que ameaça criminalizar ainda mais as pessoas LGBTI+. Em abril, o partido HÜDAPAR — membro da coligação governamental — apresentou um projeto que visa alterar o Código Penal e outras leis, atacando diretamente os direitos fundamentais das pessoas LGBTI+.

A proposta segue um padrão repressivo semelhante ao de regimes autoritários como a Rússia, Hungria ou Geórgia, mas com medidas ainda mais severas. Se aprovada, a nova lei poderá levar à prisão quem “promova ou divulgue comportamentos sexuais entre pessoas do mesmo sexo” — em qualquer formato, incluindo comunicação digital. A pena poderá chegar a cinco anos de prisão, agravada se for através de meios de comunicação.

Outras medidas incluem:

  • Punições agravadas para relações sexuais entre pessoas do mesmo sexo em público (até 16 anos de prisão);
  • Penalizações duplicadas para atos de “exibicionismo” cometidos por pessoas do mesmo sexo;
  • Detenção preventiva com base em meras acusações de “atos indecentes”;
  • Prisão até três anos para pessoas trans que não revelem o sexo atribuído à nascença antes de casar.

Milhares de detenções de ativistas na Turquia

Este projeto de lei ameaça destruir os últimos resquícios de liberdade de expressão e associação, afetando não só ativistas LGBTI+ como também artistas, jornalistas, pessoas advogadas e opositoras políticas. Desde o início do ano, milhares de pessoas foram detidas. Entre elas, defensoras de direitos humanos LGBTI+ que participaram em protestos pacíficos, frequentemente reprimidos com violência policial que poderá constituir tortura.

Katrin Hugendubel, da ILGA-Europe, alerta que estas “alterações discriminatórias fazem parte de um ataque mais vasto aos direitos fundamentais e representam uma violação das normas internacionais de direitos humanos”.

A Turquia ocupa o 47.º lugar entre 49 países no Rainbow Map da ILGA-Europe — um dos piores desempenhos em termos de proteção legal das pessoas LGBTI+ na Europa. Com este novo projeto de lei, o país corre o risco de aprofundar ainda mais o fosso entre os direitos humanos e a repressão institucional.

Num mês em que se celebra o Orgulho, é essencial mostrar solidariedade internacional com as pessoas LGBTI+ na Turquia. O silêncio não pode ser uma opção.



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3 respostas a “Turquia avança com lei anti-LGBTI em clima de repressão política”

  1. […] Ambos os sites contém notícias e opiniões sobre questões LGBTQIAPN+ em geral, e ambos são sites portugueses. Eu diria que a diferença principal sobre o foco é que Dezanove contém mais colunas de opinião que não são necessariamente sobre acontecimentos do momento, como Conversa séria (que é sobre resistir ao fascismo), enquanto esQrever tem mais notícias sobre países além de Portugal, como Turquia avança com lei anti-LGBTI em clima de repressão política. […]

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  2. […] repressão ao Pride de Istambul acontece num contexto político cada vez mais hostil à comunidade LGBTI+. O presidente Recep Tayyip Erdoğan, no poder desde 2014, declarou 2025 como o “Ano da […]

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  3. […] Na Turquia, 11 ativistas foram sofreram acusações com base na Lei das Associações, e jornalistas LGBTI+ enfrentaram investigações por “desinformação” ou alegadas ligações terroristas. […]

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