“Teríamos moda sem pessoas gay? Perdoem-me, teríamos algo?” – Das declarações de Meryl Streep à genética da Humanidade

"Teríamos moda sem pessoas gay? Perdoem-me, teríamos algo?" – Das declarações de Meryl Streep à à genética da Humanidade

Vinte anos após o lançamento de O Diabo Veste Prada, o filme que redefiniu a relação entre cinema e moda, Meryl Streep regressa como Miranda Priestly em O Diabo Veste Prada 2. A sequela promete não só reviver a icónica dinâmica entre a editora-chefe e a sua assistente, mas também aprofundar o legado cultural de uma obra que se tornou um fenómeno global.

No entanto, o impacto deste filme vai muito além das passarelas e das frases memoráveis. É um testemunho do papel fundamental da comunidade LGBTQ+ na formação da cultura, da arte e, em última análise, da própria humanidade.

O Legado de O Diabo Veste Prada e a Comunidade LGBTQ+

Desde o seu lançamento em 2006, O Diabo Veste Prada tornou-se um ícone cultural, especialmente dentro da comunidade LGBTQ+. Frases como “Florals? For spring? Groundbreaking” [“Florais? Para a primavera? Inovador”] tornaram-se parte do léxico queer, repetidas e celebradas por fãs em todo o mundo. Meryl Streep, ao refletir sobre este impacto, foi direta: “Teríamos moda sem pessoas gay? Perdoem-me, teríamos algo?“. A sua pergunta retórica não é apenas um elogio à criatividade da comunidade LGBTQ+, mas um reconhecimento de que a sua influência é indissociável de muitos dos aspetos que definem a cultura moderna.

A moda, a arte, o cinema e até a linguagem são áreas onde a contribuição LGBTQ+ é inegável e O Diabo Veste Prada 2 é uma celebração desse legado. Streep referiu que o novo filme foi criado com a comunidade LGBTQ+, reforçando a ideia de que a representação e a inclusão não são opcionais, mas essenciais para a autenticidade de qualquer obra cultural.

A Ciência por trás da sexualidade: Um estudo sobre a Humanidade

Enquanto o cinema celebra a influência LGBTQ+ na cultura, a ciência tem vindo a confirmar o que já se sabiam: a homossexualidade não é uma escolha, nem um desvio, mas uma parte intrínseca da humanidade. Em 2019, um estudo pioneiro do Broad Institute de Harvard e MIT, liderado pelo investigador Benjamin Neale, analisou o genoma de mais de 470 mil pessoas e identificou cinco marcadores genéticos associados a comportamentos homossexuais. Dois destes marcadores são exclusivos do sexo masculino, dois são partilhados por ambos os sexos e um é exclusivo do sexo feminino.

No entanto, o estudo mostrou como estes marcadores explicam apenas cerca de 1% do comportamento não heterossexual. A sexualidade humana é, na verdade, influenciada por centenas ou até milhares de variantes genéticas, cada uma com um efeito mínimo, e é também profundamente moldada por fatores ambientais e experiências de vida. Esta complexidade genética e ambiental significa que não existe um “gene gay” único, mas sim uma teia intrincada de fatores que tornam a sexualidade humana tão diversa quanto a própria humanidade.

A impossibilidade de erradicar o que é intrínseco

O estudo de Neale e da sua equipa tem implicações profundas. Primeiro, desmente de vez a noção de que a homossexualidade pode ser “curada” ou erradicada através de terapias de conversão. O consenso científico mostra-nos que não há base genética ou biológica para tais práticas, que são não só ineficazes, mas também profundamente prejudiciais. As práticas de conversão, além de não terem qualquer fundamento científico, causam sofrimento físico e mental às pessoas LGBTQ+, reforçando estigmas e preconceitos que a ciência já provou serem infundados.

Em segundo lugar, o estudo sublinha que a sexualidade humana é uma característica complexa e multifacetada, tão enraizada na nossa espécie que tentá-la remover seria o equivalente a tentar remover a humanidade ela própria. Como Neale referiu, está escrito nos nossos genes e faz parte do nosso ambiente. A homossexualidade faz parte da nossa espécie e faz parte de quem somos. Se tentássemos excluir todos os fatores que influenciam a homossexualidade, teríamos de excluir também todas as pessoas, porque esses fatores estão presentes em todas elas, em maior ou menor grau.

A Humanidade como um todo

A mensagem é a de que a homossexualidade não é uma exceção, mas uma parte integral da humanidade. Não é algo que possa ser isolado ou erradicado, porque está entrelaçado com a própria essência do que nos torna humanos. Como Streep sugeriu, sem a comunidade LGBTQ+, não teríamos moda, não teríamos arte, não teríamos cultura como a conhecemos. E a ciência vai mais longe: sem a diversidade sexual, não teríamos humanidade.

Esta é uma questão de humanidade, porque, como o estudo de Neale demonstrou, as nossas diferenças são superficiais quando comparadas com aquilo que nos une. A homossexualidade não é um “outro”, mas um “nós”. Está em todas as pessoas, em todos os momentos, em todos os lugares. É uma parte da nossa identidade coletiva, e tentá-la negar é negar a própria humanidade.


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