
A estreia de Lúcido no Festival de Cannes marca um momento histórico para a produção imersiva portuguesa. Realizada por Vier, artista multidisciplinar, e produzida pela cooperativa Cola Animation, a obra integra a Competição Imersiva do festival, destacando-se como uma narrativa inovadora em realidade virtual que explora temas como lucidez, escapismo, perda e a importância da família escolhida.
Uma narrativa queer e onírica
Lúcido acompanha Gil, um jovem que aprende a controlar os seus sonhos com o apoio do namorado. A experiência, que oscila entre a exploração de paisagens oníricas e fragmentos da vida quotidiana de uma família queer, utiliza a interatividade como ferramenta narrativa: os participantes só controlam o corpo do protagonista nos momentos de lucidez. À medida que esta diminui, o controlo é perdido, transformando o participante em observador.
Esta dinâmica reflete não só o estado emocional de Gil, mas também a busca por espaços seguros de expressão queer dentro de estruturas familiares não tradicionais.
Inovação visual e sonora

O universo visual de Lúcido nasce da prática artística de Vier, que trabalha com luz, sombra e espaço negativo para criar imagens ambíguas. Na realidade virtual, estas dualidades ganham vida, com personagens e cenários a transformarem-se continuamente, gerando transições surpreendentes.
A banda sonora original, composta por Filipe Raposo, e as vozes de Tadeu Faustino e Rafael Gomes (na versão portuguesa) complementam a imersão, reforçando a dimensão emocional da narrativa.
A seleção para a Competição Imersiva de Cannes — que este ano apresenta nove obras de oito países — consolida Lúcido como um projeto de referência. A exibição no Carlton Hotel, entre 12 e 22 de maio, beneficia de um novo sistema técnico que permite experiências coletivas para até 200 participantes, amplificando o impacto da obra.
Família Escolhida e Sonhos Lúcidos
A obra estabelece um paralelo entre a construção consciente de mundos nos sonhos lúcidos e a criação de espaços seguros para a comunidade queer. Ao integrar The Dream Anthology, uma colaboração entre seis estúdios, Lúcido reforça a importância de narrativas originais que desafiam as fronteiras entre realidade e ficção, identidade e pertença.
Lúcido é um manifesto artístico sobre a liberdade de ser, sonhar e existir além das normas. A sua estreia em Cannes celebra a diversidade e a inovação, provando que o cinema imersivo pode ser um veículo poderoso para a representação queer.
O seu trailer poder ser aqui visto:
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